Chanel critica excessos em desfile de alta-costura

terça-feira, 27 de janeiro de 2009 17:28 BRST
 

Por Sophie Hardach

PARIS (Reuters) - Ao lançar um chamado por um novo ascetismo em seu desfile de alta-costura nesta terça-feira -- num salão de baile repleto de celebridades e clientes ricos --, a Chanel prescreveu casacos brancos quadradinhos e saias de lã branca como cura para os excessos da época do boom econômico.

Enquanto Karl Lagerfeld, estilista da Chanel, dizia que era tempo de uma grande limpeza, após anos de indulgência, o estilista rival Christian Lacroix preferiu ignorar a crise econômica, apresentando vestidos de tule cheios de babados e casacos de tafetá bordados.

"Tivemos um excesso de tudo, tapete vermelho demais, bijuterias ousadas demais, demais de tudo. Foi como ficar com o estômago empanturrado de comer coisas gostosas em excesso", disse Lagerfeld, falando dos anos de bolha que precederam a recessão.

"Então é preciso fazer uma grande limpeza. É um expurgo refinado", disse ele à Reuters depois do desfile, usando um terno preto de corte perfeito, óculos de sol e as luvas de couro com cravos que são sua marca registrada.

Tirando sua inspiração de uma página em branco, Lagerfeld vestiu suas modelos em saias até os joelhos, boleros e vestidos de alfaiataria com cintos pretos brilhantes, brincando em cima do clássico terninho de lã de Coco Chanel.

Mas houve ousadia bastante sob a forma de armações brancas fantásticas usadas na cabeça, brilho preto e branco e paetês, para o deleite dos fãs de Lagerfeld em Hollywood.

"Acho que a fantasia sempre é realmente importante em períodos diferentes no mundo. É bom perder-se na fantasia por um minuto ou dois", comentou a atriz Keira Knightley, sentada diante de uma das mesinhas brancas espalhadas pelo salão.

Mas a fórmula que ela própria emprega na moda é mais simples.

"Lamento dizer que não planejo meu guarda-roupa", disse a atriz a jornalistas. "Simplesmente visto o que estiver lavado."

Terninhos Chanel, sapatos de duas cores e bolsas acolchoadas deram o tom entre os clientes mais leais da maison presentes ao desfile. Mas, como outras grifes, a Chanel está sentindo o efeito do fim da orgia de compras de luxo e foi obrigada a encerrar os contratos de 200 de seus funcionários temporários.

 
<p>Modelo escorrega ao apresentar cria&ccedil;&atilde;o do estilista alem&atilde;o Karl Lagerfeld, da Chanel, em Paris, nesta ter&ccedil;a-feira. REUTERS/Jacky Naegelen</p>