Após 34 anos, médica diz que doença do violoncelo não existe

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009 11:46 BRST
 

LONDRES (Reuters) - O "escroto de violoncelo", uma doença que supostamente acomete músicos, não existe -- é só um boato --, segundo uma importante médica britânica.

Em uma carta enviada ao British Medical Journal (BMJ), renomado periódico médico em 1974, Elaine Murphy relatou que os violoncelistas reclamavam de uma terrível dor causada pelo atrito do instrumento contra seus corpos.

O BMJ havia reportado que, de forma semelhante, as pessoas que tocam violão sofriam com os "mamilos de violão", uma irritação que ocorria quando o instrumento era apertado contra o peito.

Mas Murphy, hoje baronesa e ex-professora de psiquiatria geriátrica do Hospital de Guy, em Londres, admitiu que tudo isto era inventado.

"Talvez, depois de 34 anos, seja hora de confessarmos que inventamos o escroto de violoncelo", escreveu ela, junto com o marido John, que assinou a carta original, publicada pelo BMJ na quarta-feira.

"Qualquer pessoa que tenha assistido a alguém tocando o violoncelo perceberia a impossibilidade física de nossa afirmação".

Murphy, que disse que ela e o marido "se divertiam" com a história desde que a inventaram, afirmou que eles decidiram revelar a brincadeira depois que a doença foi citada em um artigo recente do BMJ, sobre problemas de saúde associados a quem toca música.

Ela disse também que, à época, suspeitou de que "os mamilos de violão" também fossem uma piada.

(Por Michael Holden)