ESTREIA-"Ninho Vazio" explora crise de casal depois dos 50 anos

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009 14:36 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Em seu sexto filme, "Ninho Vazio", o diretor e roteirista argentino Daniel Burman exerce, mais uma vez, seu olhar crítico sobre a família, a partir de um foco masculino. O filme entra em cartaz em oito capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, Salvador, Vitória, Goiânia e Curitiba.

Na Argentina, o filme foi visto por 300 mil espectadores, além de ter conquistado os prêmios de melhor ator (Oscar Martinez) e fotografia no Festival de San Sebastian 2008.

Se em filmes anteriores como "Abraço Partido" (2004) e "Direito de Família" (2006) Burman examinou diversos aspectos da paternidade, em "Ninho Vazio" ele explora a crise do casamento de cinquentões -- faixa bem acima de sua própria idade real, 35 anos.

Na visão de Burman, a família é um espaço de crise e conflitos, onde o afeto só é obtido a partir do esforço e negociação. E o casal formado pelo dramaturgo Leonardo (Oscar Martinez) e Martha (Cecilia Roth, de "Tudo sobre Minha Mãe") vive um momento de desequilíbrio.

Os três filhos, já adultos, partiram para assumir suas próprias vidas. O vazio deixado não é apenas o do quarto deles, é também o da própria relação, que precisa ser revista.

Liberada do papel de mãe, que a levou, anos atrás, a abandonar a faculdade, Martha sai na dianteira. Retoma os estudos, encara novas amizades e hábitos, rejuvenesce até fisicamente. Mostra-se pronta para iniciar novos tempos e sacudir a monotonia, vivendo uma nova liberdade.

Leonardo parece bem mais travado. Ressente-se do peso da idade, da perda do papel de provedor. Resiste ao entusiasmo e, especialmente, aos novos amigos da mulher. Há um estranhamento e não só em relação a Martha. Leonardo vive um bloqueio criativo. E tem fantasias com outras mulheres, como a bela dentista Violeta (Eugenia Capizzano).

Sem ser tão bom quanto "Abraço Partido" e "Direito de Família", "Ninho Vazio" tem a grande qualidade de radiografar a classe média com alguma profundidade, algo que o cinema argentino recente tem se mostrado mais competente em realizar do que o brasileiro, por alguma misteriosa razão.

(Neusa Barbosa, do Cineweb)

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