Após acordo, museus mantêm telas de Picasso tomadas por nazistas

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009 16:59 BRST
 

Por Christine Kearney

NOVA YORK (Reuters) - O Museum of Modern Art (MoMA) e o museu Guggenheim, ambos de Nova York, vão conservar duas telas de Picasso, depois de fechar um acordo com um acadêmico judeu alemão que afirmou ser o proprietário de direito das obras.

Advogados de Julius Schoeps e dos dois museus disseram a um juiz federal de Manhattan na segunda-feira que a disputa sobre a propriedade de "Menino Conduzindo um Cavalo" e "Le Moulin de la Galette" foi resolvida. O julgamento do processo tinha sido previsto para começar na segunda-feira.

Em 2007 o MoMA e a Fundação Solomon R. Guggenheim moveram uma ação contra Schoeps, que afirmou ser o herdeiro do banqueiro e colecionador de arte Paul Robert Ernst von Mendelssohn-Bartholdy. Schoeps alegava que o banqueiro, seu tio-avô, tinha sido forçado a abrir mão das telas na Alemanha nazista.

"Haverá paz completa entre os museus e os herdeiros de Mendelssohn-Bartholdy e outros", disse ao tribunal o advogado dos museus, Gregory Joseph, acrescentando que o "valor em dólares" envolvido no acordo permanecerá confidencial. "As telas vão permanecer nos museus."

Numa reprimenda incomum, o juiz distrital Jed Rakoff exortou as duas partes a divulgar os termos do acordo, dizendo que os herdeiros "evocaram o peso da história em benefício de seu argumento" e dizendo que "seria extremamente lastimável que o público ficasse sem saber qual é a verdade".

Ele deu às duas partes o prazo de 30 dias para explicar por que os termos do acordo devem ser mantidos em sigilo.

As telas, que se acredita valerem milhões de dólares, são atrações nos dois museus. "Le Moulin de la Galette" -- o título é o mesmo de uma tela famosa de Renoir -- foi pintado em 1900, e "Menino Conduzindo um Cavalo", seis anos mais tarde.

No passado, os tribunais decretaram a devolução de obras de arte roubadas pelos nazistas aos herdeiros de seus antigos proprietários judeus.

Schoeps, que não estava presente ao tribunal na segunda-feira, alegou que Von Mendelssohn-Bartholdy foi pressionado na Alemanha nazista a desfazer-se dos quadros algum tempo antes de sua morte, em 1935. Outros herdeiros mais tarde se juntaram à ação. Os museus também contestaram os direitos deles.

As telas foram passadas para Justin Thannhauser, um destacado mercador de arte judeu alemão e sócio comercial de Von Mendelssohn-Bartholdy. Em 1936 Thannhauser vendeu "Menino Conduzindo um Cavalo" ao ex-presidente do MoMA William Paley, que em 1964 doou o quadro ao museu. "Le Moulin de la Galette" foi transferido ao Guggenheim por Thannhauser em 1963.