ENTREVISTA-Irmão de Dorothy Stang vê esperança em documentário

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009 18:48 BRST
 

Por Stuart Grudgings

BELÉM (Reuters) - Um documentário sobre o assassinato da freira católica norte-americana Dorothy Stang na Amazônia, quatro anos atrás, renovou a esperança de seu irmão de que os suspeitos mandantes de sua morte sejam finalmente condenados.

Irmã Dorothy foi morta em 2005, aos 73 anos, depois de passar anos ajudando os pobres na região amazônica brasileira a defender a floresta e seus direitos, ameaçados por fazendeiros poderosos.

Três pessoas estão presas pelo crime, sendo duas delas pistoleiros. Mas um dos fazendeiros suspeitos de ser um dos mandantes teve sua condenação revogada no ano passado, e outro, Regivaldo Pereira Galvão, foi preso apenas no mês passado e agora aguarda julgamento.

"O filme foi muito influente para a nova prisão de Regivaldo", disse David Stang, irmão de Dorothy, à Reuters no Fórum Social Mundial em Belém, onde milhares de ativistas se reuniram na semana passada.

Ele disse que imagens no filme "Mataram a Irmã Dorothy" mostrando Galvão negando no Supremo Tribunal que tivesse direito de propriedade sobre o lote 55, onde a freira foi morta, estavam ajudando os promotores a reabrir o processo contra ele.

Galvão foi preso em 2005 mas recorreu a apelações para evitar ser levado a julgamento. No ano passado ele entregou ao Incra documentos mostrando que é dono da terra disputada e a quer de volta. Com isso, lançou em dúvida seu principal argumento de defesa.

Ele tinha argumentado que não tinha direito à terra e, portanto, que não teria tido motivos para matar a freira.

Ex-missionário católico na África e hoje residente no Colorado, David Stang visita o Brasil com frequência para buscar justiça para sua irmã, que nasceu em Ohio e se naturalizou brasileira.   Continuação...