5 de Fevereiro de 2009 / às 13:41 / em 9 anos

ESTREIA-Indicado a 5 Oscar, "Dúvida" adapta peça premiada

<p>Meryl Streep, protgonista de "d&uacute;vida" REUTERS/Danny Moloshok (UNITED STATES)</p>

SÃO PAULO (Reuters) - Baseado numa peça premiada com o Pulitzer e quatro Tonys, adaptada para o cinema e dirigida por seu próprio autor, John Patrick Shanley, o filme “Dúvida” despontou como um dos favoritos também na principal premiação cinematográfica dos EUA.

Já vencedor de um troféu do Sindicato dos Atores do EUA para Meryl Streep, o filme também concorre a cinco Oscar, com outra indicação para a própria Meryl, além de três para atores coadjuvantes (Philip Seymour Hoffman, Amy Adams e Viola Davis) e roteiro adaptado para John Patrick Shanley.

Esta é, aliás, a 15a. indicação de Meryl Streep, que já tem dois Oscar: um de coadjuvante por “Kramer versus Kramer” (1979) e um como protagonista, por “A Escolha de Sofia” (1982).

“Dúvida”, o perfeito título desta história, é algo que a diretora da escola católica de St. Nicholas, madre Aloysius Beauvier (Meryl Streep), não se permite alimentar. Ela nunca demonstra nenhuma hesitação quando castiga seus alunos, o que faz com muita frequência.

Move-se como um rato, sorrateira, nos corredores da capela, flagrando aqueles que dormem ou conversam durante a missa. Pressiona seus professores para que denunciem seus alunos malcomportados, mandando-os à diretoria. Exige rigor, vigilância implacável e punição exemplar, como se fosse uma representante da Inquisição do século 15 perdida no bairro nova-iorquino do Bronx, no ano de 1964.

Dentro e fora dos EUA, esse início dos anos 60 era um momento de mudança. A igreja católica era varrida por novos ventos com um papa reformista, João 23. Fora dos conventos, o movimento pelos direitos civis acumulava algumas conquistas. A escola St. Nicholas, por exemplo, acaba de admitir seu primeiro aluno negro, Donald Miller (Joseph Foster).

O movimento civil também incorporava o feminismo, que não parece, no entanto, penetrar os muros da escola. A alta hierarquia ali dentro é toda masculina. Apesar de toda a sua energia, madre Aloysius só tem autoridade sobre suas freiras e os alunos.

É entre um homem, padre Flynn (Philip Seymour Hoffman, de “Capote”), e uma mulher, madre Aloysius, que vai se travar a grande batalha da história -- e ela tem a ver com sexo e outras coisa mais.

Alegre e espirituoso, padre Flynn está antenado com o novo momento da igreja. Ele dedica bastante tempo a conversas particulares com o aluno negro e isto chama a atenção de uma jovem freira, a irmã James (Amy Adams, de “Uma Noite no Museu 2”).

A suspeita de que algo além de orientação espiritual possa estar ocorrendo entre o padre e o aluno serve sob medida à madre para iniciar uma guerra. E aí está o fascinante foco deste filme, que explora as sutis diferenças entre progressismo e conservadorismo, deveres e direitos, culpa e inocência, procurando ir além do maniqueísmo que quase sempre contamina as histórias morais no cinema.

Um momento especialmente luminoso é a única cena em que a mãe do menino, sra. Miller (Viola Davis, de “Noites de Tormenta”), expõe suas próprias posições sobre o dilema do filho. Nessa hora, a mãe introduz na discussão, até então apenas moral e religiosa, um pragmatismo muito peculiar e muito compreensível, dadas as consequências que todo este caso poderá ter no futuro de seu filho.

Aqui está um duelo entre duas grandes atrizes. Não é fácil contracenar com a veterana Meryl Streep, e Viola Davis o faz com grandeza.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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