February 12, 2009 / 4:31 PM / 8 years ago

ESTREIA-"Coraline" leva mundo bizarro de Gaiman para as telas

5 Min, DE LEITURA

<p>Quem reclama que as anima&ccedil;&otilde;es atuais est&atilde;o infestadas de desenhos coloridinhos e personagens fofinhos para agradar &agrave;s crian&ccedil;as pequenas agora tem o que comemorar. O pr&ecirc;mio atende pelo nome de "Coraline e o Mundo Secreto", que estreia em todo o pa&iacute;s em c&oacute;pias normais em 35 mm (dubladas em portugu&ecirc;s ou legendadas) e em 3D (todas dubladas em portugu&ecirc;s).Richard Clement</p>

SÃO PAULO (Reuters) - Quem reclama que as animações atuais estão infestadas de desenhos coloridinhos e personagens fofinhos para agradar às crianças pequenas agora tem o que comemorar. O prêmio atende pelo nome de "Coraline e o Mundo Secreto", que estreia em todo o país em cópias normais em 35 mm (dubladas em português ou legendadas) e em 3D (todas dubladas em português).

Roteirizado e dirigido por Henry Selick ("O Estranho Mundo de Jack"), "Coraline e o Mundo Secreto" é a adaptação de um romance infanto-juvenil de Neil Gaiman, escritor e autor de histórias em quadrinhos ("Sandman"), conhecido por suas histórias de fantasia.

Por isso, não espere um filme engraçadinho. Inicialmente, a censura seria 10 anos, mas a animação acabou sendo liberada para todas as idades. Crianças maiores e os adultos têm muito com o que se divertir - não necessariamente com as mesmas coisas.

A personagem do título é uma menina que se mudou com os pais para uma antiga casa no interior. Ignorada por eles, que escrevem sobre jardinagem, a garota passa o tempo explorando as redondezas e destilando mau humor e sarcasmo. Nem um novo amiguinho a ajuda a superar o tédio. Mas uma boneca entra na vida de Coraline para mudar tudo.

O brinquedo se parece com Coraline, embora tenha botões no lugar dos olhos, e a menina a leva para todo lugar. Mais tarde, quando a protagonista encontra uma misteriosa portinha na sala de sua casa, tudo começa a fazer sentido. Em um primeiro momento, a passagem está bloqueada com tijolos; porém, no meio da noite, aparece aberta e o que a menina vê a surpreende.

Do outro lado, existe um mundo quase igual ao seu, mas mais alegre e feliz. Os pais lhe dão atenção o tempo todo, lhe preparam comidas gostosas e brincam com ela. Seria maravilhoso, não fosse por um detalhe: eles têm botões no lugar dos olhos.

Não há limites precisos entre realidade e fantasia, o onírico e o real. Poderia ser um sonho de Coraline, como a Outra Mãe e o Outro Pai (é assim que eles se intitulam), o Gato falante ou os ratos acrobatas. Mas, ao mesmo tempo, tudo parece bem real. As coisas só pioram quando a Outra Mãe diz que Coraline pode morar com eles, desde que troque seus olhos por botões. A partir daí, o filme fica mais sombrio.

Com influências de "Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carroll, e de outros autores menos prováveis numa história infanto-juvenil, como os diretores Tim Burton e David Lynch (em cujos filmes, a fronteira entre sonho e realidade nunca é muito clara), "Coraline e o Mundo Secreto" trabalha tanto a narrativa quanto o visual, dialogando com crianças e adultos.

Selick surpreende também com sua técnica de animação, a mesma usada em seu filme mais famoso, "O Estranho Mundo de Jack" (1993), conhecida como stop motion - que consiste em fotografar cada movimento dos bonecos, em vez de desenhá-los em papel ou mesmo com a ajuda do computador. O filme já tem, por natureza, um quê de terceira dimensão, que fica mais evidente nas salas onde há o recurso dos óculos.

Como em suas outras animações - como "James e o Pêssego Gigante", de 1996 - Selnick é talentoso na criação de outros mundos, universos paralelos regidos por suas próprias regras. Aqui, Coraline se surpreende ao encontrar do outro lado réplicas das pessoas que conhece, como as irmãs ex-estrelas e o russo domador de ratos. Todos muito parecidos, não fosse o detalhe dos botões no rosto.

"Coraline e o Mundo Secreto" é tão sedutor quanto assustador. Com uma história complexa, mas não incompreensível para crianças, o filme tem todos os requisitos para se tornar um clássico da animação.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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