ESTREIA-"Coraline" leva mundo bizarro de Gaiman para as telas

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009 15:55 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Quem reclama que as animações atuais estão infestadas de desenhos coloridinhos e personagens fofinhos para agradar às crianças pequenas agora tem o que comemorar. O prêmio atende pelo nome de "Coraline e o Mundo Secreto", que estreia em todo o país em cópias normais em 35 mm (dubladas em português ou legendadas) e em 3D (todas dubladas em português).

Roteirizado e dirigido por Henry Selick ("O Estranho Mundo de Jack"), "Coraline e o Mundo Secreto" é a adaptação de um romance infanto-juvenil de Neil Gaiman, escritor e autor de histórias em quadrinhos ("Sandman"), conhecido por suas histórias de fantasia.

Por isso, não espere um filme engraçadinho. Inicialmente, a censura seria 10 anos, mas a animação acabou sendo liberada para todas as idades. Crianças maiores e os adultos têm muito com o que se divertir - não necessariamente com as mesmas coisas.

A personagem do título é uma menina que se mudou com os pais para uma antiga casa no interior. Ignorada por eles, que escrevem sobre jardinagem, a garota passa o tempo explorando as redondezas e destilando mau humor e sarcasmo. Nem um novo amiguinho a ajuda a superar o tédio. Mas uma boneca entra na vida de Coraline para mudar tudo.

O brinquedo se parece com Coraline, embora tenha botões no lugar dos olhos, e a menina a leva para todo lugar. Mais tarde, quando a protagonista encontra uma misteriosa portinha na sala de sua casa, tudo começa a fazer sentido. Em um primeiro momento, a passagem está bloqueada com tijolos; porém, no meio da noite, aparece aberta e o que a menina vê a surpreende.

Do outro lado, existe um mundo quase igual ao seu, mas mais alegre e feliz. Os pais lhe dão atenção o tempo todo, lhe preparam comidas gostosas e brincam com ela. Seria maravilhoso, não fosse por um detalhe: eles têm botões no lugar dos olhos.

Não há limites precisos entre realidade e fantasia, o onírico e o real. Poderia ser um sonho de Coraline, como a Outra Mãe e o Outro Pai (é assim que eles se intitulam), o Gato falante ou os ratos acrobatas. Mas, ao mesmo tempo, tudo parece bem real. As coisas só pioram quando a Outra Mãe diz que Coraline pode morar com eles, desde que troque seus olhos por botões. A partir daí, o filme fica mais sombrio.

Com influências de "Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carroll, e de outros autores menos prováveis numa história infanto-juvenil, como os diretores Tim Burton e David Lynch (em cujos filmes, a fronteira entre sonho e realidade nunca é muito clara), "Coraline e o Mundo Secreto" trabalha tanto a narrativa quanto o visual, dialogando com crianças e adultos.

Selick surpreende também com sua técnica de animação, a mesma usada em seu filme mais famoso, "O Estranho Mundo de Jack" (1993), conhecida como stop motion - que consiste em fotografar cada movimento dos bonecos, em vez de desenhá-los em papel ou mesmo com a ajuda do computador. O filme já tem, por natureza, um quê de terceira dimensão, que fica mais evidente nas salas onde há o recurso dos óculos.   Continuação...

 
<p>Quem reclama que as anima&ccedil;&otilde;es atuais est&atilde;o infestadas de desenhos coloridinhos e personagens fofinhos para agradar &agrave;s crian&ccedil;as pequenas agora tem o que comemorar. O pr&ecirc;mio atende pelo nome de "Coraline e o Mundo Secreto", que estreia em todo o pa&iacute;s em c&oacute;pias normais em 35 mm (dubladas em portugu&ecirc;s ou legendadas) e em 3D (todas dubladas em portugu&ecirc;s). REUTERS/Richard Clement</p>