Na falta de patrocínio, criatividade tem que imperar na Sapucaí

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 16:20 BRT
 

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Em tempos de crise financeira global, as escola de samba do Rio de Janeiro perderam este ano um incentivo que se mostrou fundamental em desfiles recentes -- o patrocínio de empresas e governos dispostos a usar a passarela do samba como plataforma de divulgação.

Entre as 12 escolas do grupo especial, apenas a Grande Rio conseguiu incrementar seu orçamento com uma parceria. Ao levar para o Sambódromo um enredo sobre o ano da França no Brasil, a agremiação de Duque de Caxias reforçou os cofres com cerca de 2 milhões reais pagos por empresas francesas e o governo de Nice.

"Na Grande Rio não sofremos tanto com a crise porque temos 15 empresas francesas que apóiam o nosso Carnaval", disse à Reuters o carnavalesco da escola, Cahê Rodrigues. "Mas tivemos que mudar alguns materiais, usar a criatividade, para conseguir fechar a conta", acrescentou.

"Dinheiro não ganha o Carnaval, mas ajuda muito. Você tem a liberdade de usar materiais, usar efeitos especiais, fazer o que você quiser numa escola de samba", acrescentou.

A Mocidade, que teria patrocínio do governo chileno para apresentar um enredo sobre o país, acabou forçada a trocar de tema após o Chile desistir do acordo. A segunda opção foi falar sobre os escritores Machado de Assis e Guimarães Rosa -- sem nenhum patrocínio.

"Estava tudo acertado, uma equipe nossa chegou a viajar para o Chile, mas depois eles desistiram", disse por telefone Enildo do Rosário, assessor da Mocidade.

Para o estudioso de Carnaval Hiram Araújo, a falta de patrocínio será sentida pelas escolas, uma vez que o valor repassado às agremiações pela Liesa seria insuficiente.

"O patrocíonio é o melhor caminho para a escola de samba", disse Araújo à Reuters.   Continuação...

 
<p>Funcion&aacute;ria da Grande Rio trabalha numa fantasia para o Carnaval do Rio de Janeiro. REUTERS/Bruno Domingos</p>