Lula estreia na Sapucaí; Grande Rio tropeça apesar de luxo

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009 07:59 BRT
 

Por Maria Pia Palermo e Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Com a bênção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pela primeira vez na Sapucaí, o Império Serrano abriu neste domingo, sem muito luxo, os desfiles da elite do Carnaval carioca com o "canto da sereia", relembrado em coro pelo público. Em contraste, a Grande Rio esbanjou no brilho para trazer a França ao Brasil, mas teve problemas em sua passagem pela avenida.

Lula, com chapéu Panamá e vestindo camisa florida branca e azul-claro, desembarcou no sambódromo no início do desfile da primeira escola. Acompanhado da primeira-dama, Marisa Letícia, e do governador Sérgio Cabral, o presidente apareceu algumas vezes para o público e acenou do camarote do governo estadual.

Durante a passagem da Grande Rio, a primeira-dama, quebrou o protocolo e desceu do camarote para sambar, cercada de seguranças, mas sem a companhia de Lula. Dona Marisa repetiu a dose na passagem da Vila Isabel, terceira escola da noite que cantou os 100 anos do Theatro Municipal carioca, e não perdeu a chance de saudar o cantor Martinho da Vila.

Ao deixar o sambódromo, na madrugada de segunda-feira, o presidente disse que foi "maravilhoso" e que pretende voltar no ano que vem.

Primeira escola a passar pela avenida, o Império Serrano, apesar de um desfile com fantasias e alegorias simples, recebeu o caloroso apoio do público que, em coro, relembrou o samba de 1976. Mas isso pode não ser suficiente para garantir uma boa colocação à escola, que subiu neste ano para o Grupo Especial.

"Ela mora no mar, ela brinca na areia" levantou o público e emocionou o único ainda vivo dos três compositores do música. "É a maior emoção da minha vida. Tanto tempo depois e o público ainda lembrar desse jeito". disse ao término do desfile Vicente Matos, 70 anos, que compôs "A Lenda das Sereias e os Mistérios do Mar".

Pelas mãos da Grande Rio, o Arco do Triunfo e a Torre Eiffel passaram pela avenida, entre outros símbolos da França, como o famoso Moulin Rouge, em um desfile marcado pelas cores da bandeira francesa (azul, vermelho e branco), luxo das fantasias e grandiosidade dos carros. Mas houve alguns tropeços.

"Problemas técnicos, infelizmente, acontecem", disse à Reuters o carnavalesco Cahê Rodrigues, referindo-se ao carro da Torre Eiffel que passou pela avenida apagado.   Continuação...

 
<p>Carro-aleg&oacute;rico da escola Grande Rio durante desfile na Marques de Sapuca&iacute;, na madrugada desta segunda-feira. REUTERS/Fernando Soutello</p>