23 de Fevereiro de 2009 / às 10:49 / 9 anos atrás

Beija-Flor, em noite de Neguinho, lava a alma em busca do tri

<p>Neguinho da Beija-Flor e sua esposa, Elaine Reis, se casam na Marques de Sapuca&iacute; antes de desfile da escola. REUTERS/Bruno Domingos</p>

Por Maria Pia Palermo e Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A bicampeã Beija-Flor deu um banho na avenida com o melhor desfile da primeira noite do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro. A escola ainda viu seu intérprete, Neguinho, que enfrenta um câncer, casar na Sapucaí e ser saudado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Sem dúvida foi o melhor Carnaval da minha vida”, disse Neguinho da Beija-Flor, que tem 34 anos de Carnaval. “Depois de passar uma cirurgia eu não esperava passar por isso novamente”, acrescentou o puxador ao deixar a avenida, no início desta segunda-feira, assediado por fãs e jornalistas.

A escola de Nilópolis, em seu enredo que conta a história do banho ao longo da humanidade, manteve o luxo característico e fez jorrar água de seus carros, inclusive com aroma de perfume.

O carro abre-alas, formado por três partes, representou o início do hábito de se banhar no Egito antigo. A escola abusou das plumas em suas fantasias, inicialmente, com a predominância de cores claras (branco e azul), que depois deram espaço a preto e violeta, representando a fase das trevas, quando o banho foi excomungado.

“Cumprimos o que a escola se propôs”, disse o carnavalesco Laíla, que na conquista dos títulos dos últimos dois anos esteve à frente da Beija-Flor.

O samba “No Chuveiro da Alegria, Quem Banha o Corpo Lava a Alma na Folia”, também seduziu o público, incluindo o presidente Lula e a primeira-dama, Marisa Letícia. Lula, pela primeira vez no sambódromo do Rio desde que assumiu o cargo, saudou o intérprete do camarote de onde assistiu aos desfiles.

“O presidente Lula é meu amigo, cantei em todas as campanhas que ele fez”, disse Neguinho, que minutos antes se casou na avenida, numa cerimônia breve à qual havia convidado o presidente para participar e ser padrinho. “Por motivos de segurança ele não pôde ir. A gente fica triste, mas entende”, afirmou o puxador, que trava uma luta contra um câncer no intestino.

Na torcida, a escola também contou com o apoio do cantor Roberto Carlos, que causou alvoroço e confusão ao pisar na Sapucaí, rodeado por seguranças, para assistir à participação do filho na bateria.

CRISE

Além do banho da Beija-Flor, que deixou a passarela molhada e provocou alguns escorregões, o público que foi à Sapucaí também relembrou o samba antigo “A Lenda das Sereia...”, do Império Serrano, e fez uma viagem à França, apreciando desde o Arco do Triunfo até o cabaré Moulin Rouge, de onde vieram dançarinas do famoso cancan só para se apresentar na Sapucaí.

A escola de Duque de Caxias, no entanto, sofreu com a queda de um destaque do carro da comissão de frente e uma falha elétrica que deixou a Torre Eiffel apagada.

A Mocidade Independente de Padre Miguel, que falou sobre os escritores Machado de Assis e Guimarães Rosa, também sofreu um revés. Na concentração, o carnavalesco Cláudio Cavalcanti (Cebola) foi atropelado por um carro-alegórico e foi socorrido. O mesmo carro ainda teve um princípio de incêndio.

O centenário do Theatro Municipal foi festejado pela Vila Isabel com carros-alegóricos que se transformavam. Em um deles, cortiços da cidade viravam o teatro. Na comissão de frente, camas viraram palco.

Confiante no desempenho da escola que conquistou o título em 2006 e minimizando o impacto da crise financeira que limitou os recursos das escolas, o carnavalesco Alex de Souza ficou satisfeito.

“A crise que atingiu outras escolas passou ao largo na Vila Isabel, por isso conseguimos fazer um bom desfile”, disse Souza, parceiro na escola do também carnavalesco Paulo Barros.

Ao contrário, a Unidos da Tijuca encerrou os desfiles já no amanhecer tentando

“A crise afetou o nosso Carnaval. Vamos fechar pela primeira vez no déficit”, disse o presidente da Unidos da Tijuca, Fernando Horta. “Fizemos o possível e o impossível para colocar este Carnaval na Sapucaí”, acrescentou.

Para a rainha da bateria, Adriane Galisteu, “algumas escolas têm muito dinheiro, e a gente tenta compensar com garra e paixão no chão”.

Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier

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