Exposição na Filadélfia destaca influência duradoura de Cézanne

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009 14:44 BRT
 

Por Jon Hurdle

FILADÉLFIA (Reuters Life!) - Uma nova exposição sobre Paul Cézanne mostra a influência duradoura das obras do grande pintor francês e o impacto que ele exerceu sobre seus contemporâneos e outros artistas.

A mostra "Cézanne and Beyond" (Cézanne e Além), que será aberta no Museu de Arte de Filadélfia em 26 de fevereiro, inclui obras de Cézanne do acervo do museu e também da Fundação Barnes, da cidade, e de outras galerias e coleções particulares pelo mundo afora.

Para destacar a importância de Cézanne para grandes artistas, a mostra também inclui trabalhos de Picasso, Matisse, Mondrian, Jasper Johns e outros que foram influenciados pelo artista que Matisse chamou de "um deus benevolente da pintura".

O curador Joseph Rishel disse que a influência duradoura de Cézanne se deve ao fato de ele ter abandonado a pretensão de que a pintura seria capaz de retratar profundidade, além de altura e largura.

"Ele foi radical na medida em que reconheceu que a pintura é um objeto bidimensional que se esforça para criar a ilusão de uma imagem tridimensional", explicou Rishel.

A pintura "Curva na Estrada" (1881), por exemplo, atrai o olhar para uma estrada em curva que desaparece atrás de uma árvore, lembrando ao espectador que a tela é uma superfície plana, bidimensional.

Nas galerias, os quadros de Cézanne estão ao lado de obras que mostram elementos importantes de sua influência, mesmo que tenham sido produzidos com mídias diferentes e com a distância de um século ou mais no tempo.

A célebre tela "As Grandes Banhistas" (1906), de Cézanne, está a poucos passos da escultura em bronze "As Banhistas" (1956), de Picasso, cujas formas abstratas recordam o posicionamento das figuras nuas na pintura.

"Mont St. Victoire" (1902-1904), uma das muitas pinturas do monte no sul da França feitas por Cézanne, está exposto ao lado de "Map" (1963), de Jasper Johns, um esboço dos Estados Unidos continental -- um objeto familiar que Johns usa da mesma maneira como Cézanne trata a montanha, para explorar o próprio processo de pintura.