Marcelo Yuka volta a ser vítima de assaltado e agressão no Rio

segunda-feira, 2 de março de 2009 14:17 BRT
 

RIO (Reuters) - O músico Marcelo Yuka, que ficou paraplégico em 2000 ao ser baleado durante um assalto na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, foi vítima da violência no mesmo bairro pela terceira vez no fim de semana.

O ex-baterista do grupo Rappa afirmou que estava em seu carro, adaptado, quando foi abordado no sábado por dois homens armados no bairro onde mora e tem um estúdio. Segundo Yuka, os assaltantes não acreditaram que ele era paraplégico e o agrediram com socos e pontapés.

"Mostrei a eles o adesivo do meu carro de portador de deficiência e disse 'eu não consigo andar'", contou Yuka a jornalistas, nesta segunda-feira.

"Eles disseram: 'Não anda o que, sai logo do carro'. Um deles ficou irritado, me puxou pela camisa e me derrubou", acrescentou o músico.

Yuka disse que suas pernas ficaram presas do lado de dentro do carro e o corpo ficou lado de fora.

"A única coisa que passou na minha cabeça naquele momento foi 'vou ser um novo João Hélio'", afirmou Yuka, referindo-se ao menino que morreu em 2007 após ser arrastado por vários quilômetros durante um assalto também na zona norte.

"Pedi só para ele me deixar numa posição melhor, no chão", acrescentou o músico.

Essa foi a terceira vez que Yuka foi assaltado na Tijuca. Em 2000, o então baterista do Rappa levou três tiros ao tentar fugir de assaltantes que faziam uma falsa blitz. Um dos disparos atingiu a coluna no músico, que ficou paraplégico.

Em 2005, Yuka foi vítima de um outro assalto em um congestionamento no mesmo bairro.

"Quero do governo o que deveria dar para todos: segurança, independentemente do Iptu que eu pague. A sociedade tem que se mobilizar, mas não adianta ter desfile de branco na zona sul. A gente tem que requerer a democratização da segurança pública", cobrou o músico.

(Por Rodrigo Viga Gaier)