5 de Março de 2009 / às 16:08 / 8 anos atrás

Morre aos 92 o premiado escritor norte-americano Horton Foote

NOVA YORK (Reuters) - Horton Foote, cujas peças e roteiros de filmes sobre os anseios e lutas dos moradores de pequenas cidades lhe valeram dois Oscar, um Emmy e um Prêmio Pulitzer, morreu aos 92 anos.

Foote, cujos trabalhos mais conhecidos incluem os roteiros premiados com o Oscar de "O Sol é Para Todos" e "A Força do Carinho", morreu na quarta-feira em Hartford, Connecticut, após uma doença breve, disse ao New York Times sua filha, a atriz Hallie Foote.

Muitas das histórias de Foote eram ambientadas na cidade fictícia de Harrison, inspirada em sua cidade natal, Wharton, no Texas, uma comunidade agrícola 80 quilômetros a sudoeste de Houston.

Os trabalhos de Foote eram repletos de influências e observações de Wharton, e um admirador disse que o escritor representou para o Texas o mesmo que John Steinbeck foi para a Califórnia e o que Woody Allen é para Nova York.

"Meu irmão nunca entendia porque eu preferia ficar sentado, ouvindo as histórias de minhas tias-avós, em lugar de jogar beisebol", disse Foote à Reuters certa vez. "Ainda consigo ouvir essas vozes."

Foote nasceu em 14 de março de 1916. Era adolescente quando deixou Wharton, mudando-se primeiro para a Califórnia e depois para Nova York com a intenção de tornar-se ator.

Ele entrou para um grupo de teatro em Nova York e chamou a atenção da legendária coreógrafa Agnes de Mille, que ficou tão impressionada com o retrato vívido de Wharton descrito por Foote, então com 25 anos, numa improvisação, que o aconselhou a escrever sobre a cidade.

O resultado foi "Wharton Dance", uma peça em um ato, e a percepção de que Foote poderia se garantir bons papéis se ele próprio os escrevesse.

DOIS OSCAR

Foote acabou deixando de lado a atuação e durante os anos 1940 e 1950 escreveu peças para a Broadway e roteiros de dramas de televisão. Ele começou a escrever roteiros de filmes e ganhou seu primeiro Oscar em 1962 pelo roteiro de "O Sol é Para Todos", adaptado do romance de Harper Lee.

O segundo Oscar chegou em 1983 por "A Força do Carinnho," em que Robert Duvall é um cantor country devastado e necessitado de redenção.

Foote foi indicado ao Oscar pelo filme "O Regresso para Bountiful", de 1985, uma versão de uma de suas peças que valeu um Oscar para Geraldine Page pelo papel de uma mulher que procura reconectar-se com suas raízes numa cidade pequena do Texas.

Outros filmes populares cujos roteiros ele escreveu incluem "O Gênio do Mal", com Steve McQueen, baseado em sua peça "The Travelling Lady", e "Caçada Humana", com Marlon Brando, Jane Fonda e Robert Redford.

Seus trabalhos para a televisão incluem episódios de programas de orientação teatral e "Old Man", de 1997, adaptação de um conto de William Faulkner que lhe valeu um Emmy.

Nos anos 1970 ele apresentou um ciclo de nove peças intitulado "Orphans Home", baseado em sua família, e em 1995 "The Young Man From Atlanta" lhe valeu o Prêmio Pulitzer de dramaturgia.

Quer estivesse escrevendo para o teatro, o cinema ou a TV, as obras de Foote sempre eram intimistas e evocativas, povoadas sobretudo por pessoas comuns enfrentando suas lutas cotidianas, não por magnatas petrolíferos, caubóis solitários ou outros estereótipos texanos.

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