Com Andréa Beltrão, ataques do PCC vão para as telas do cinema

quinta-feira, 12 de março de 2009 17:42 BRT
 

Por Carmen Munari

SÃO PAULO (Reuters) - O dia em que São Paulo parou virou filme com estreia prevista para o início do ano que vem. "Salve Geral" narra um episódio de ficção inspirado nos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC), o maior confronto contra forças policias do Estado.

"Para mim, foi o 11 de Setembro de São Paulo. Mobilizou a cidade toda e, pela imprensa, o Brasil. O pânico se instalou", disse à Reuters o cineasta Sergio Rezende, responsável pela direção e que já comandou Zuzu Angel (2006), Guerra de Canudos (1997) e Lamarca (1994).

Co-roteirista, ele conta que foi atraído pelo "descontrole que toma conta de tudo, em que o Estado perde o controle".

Uma primeira versão de "Salve Geral" --código usado pelo PCC-- foi apresentada à distribuidora Columbia há uma semana, quando se discutiu a data do lançamento, ainda incerta. Falta a sonorização e a música na produção orçada em 6 milhões de reais.

A história, que teve as filmagens finalizadas há alguns dias, é centrada em Lúcia, uma professora de piano viúva, vivida pela atriz Andréa Beltrão, que passa por dificuldades financeiras e tem a missão de tirar o filho da cadeia.

Rafael (Lee Thalor) está preso por ter se envolvido em um incidente de trânsito que acabou em assassinato. Para ajudá-lo, Lúcia acaba se envolvendo com o PCC, levando para a cadeia celulares e mensagens. A sigla do comando, no entanto, não é mencionada no filme.

Os ataques do PCC a São Paulo aconteceram em maio de 2006, quando delegacias de polícia, órgãos públicos, ônibus e agências bancárias foram alvo da organização criminosa que é liderada de dentro dos presídios. Foram quase 200 mortes entre funcionários do Estado e em confrontos.

Ocorridos no Dia das Mães, os ataques foram seguidos pelo pânico que parou a cidade no dia seguinte, quando a população congestionou ruas e avenidas e lotou o transporte público em uma espécie de fuga para casa.   Continuação...