Christian Lacroix expõe figurinos para balé e ópera na Ásia

sexta-feira, 20 de março de 2009 16:05 BRT
 

Por Miral Fahmy

CINGAPURA (Reuters) - Suas saias balonê e criações extravagantes fizeram dele um ícone fashion, mas o verdadeiro amor do estilista Christian Lacroix são as artes. Nesta semana estreia em Cingapura uma exposição de figurinos criados por ele para o balé, teatro e ópera. A exposição também está prevista para ir ao Brasil e possivelmente Moscou.

"Christian Lacroix, o figurinista" é a primeira viagem para o exterior de uma grande coleção de figurinos e esboços do estilista francês, cujo trabalho abrange duas décadas e mais de 25 produções, incluindo as óperas "Carmen" e "Cosi Fan Tutte", além de "Otello", de Shakespeare.

"Desenhar para a dança ou para o teatro me permite respirar", diz uma frase de Lacroix estampada em um dos painéis da exposição no Museu Nacional de Cingapura. A exposição inclui 80 figurinos espetaculares e 60 ilustrações da coleção pessoal do estilista e do Centro Nacional francês de Figurinos de Palco (CNCS).

Delphine Pinasa, vice-diretora do CNCS em Moulins, disse que a exposição oferece ao público a oportunidade de apreciar a extravagância de Lacroix desde uma ótica diferente.

Expostos num cenário inspirado no teatro experimental "caixa negra", com iluminação vermelha tênue, os figurinos são uma festa de cores e texturas que vão desde vestidos maravilhosos do século 18 feitos de veludo e renda e usados com casaquinhos curtos modernos, até criações feitas de papel bordado e sobras de tecido.

Para o balé, Lacroix criou figurinos feitos de tafetás e veludos que não ficariam deslocados numa passarela. Ele falou de seu amor pela sainha curta de balé.

"Amo as coisas extravagantes", ele explicou. "A saia de balé é uma invenção louca, ao mesmo tempo mágica e surreal. Nenhum estilista de moda jamais conseguirá competir com uma peça como essa."

E, enquanto a alta-costura precisa ser perfeita sob todos os aspectos, os figurinos de palco podem ser feitos de materiais adquiridos num mercado de pulgas ou até mesmo de náilon ou papel, disse ele, acrescentando que eles precisam chamar a atenção, mas também ser práticos.

Lacroix já ganhou duas vezes o maior prêmio do teatro francês, o Molière, pelos figurinos que criou para "Phedre" e "Cyrano de Bergerac".