ESTREIA-"Lanchonete Olympia" traz clichês do cinema independente

quinta-feira, 2 de abril de 2009 12:32 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O drama "Lanchonete Olympia", que estreia em São Paulo sexta-feira, focaliza o mundo dos imigrantes, com ênfase nos solitários e tímidos. Escrito e dirigido por Steve Barron, o filme fica um tanto travado nos clichês do chamado "cinema independente".

No centro da narrativa, está um jovem equatoriano que é ultratímido e se expressa mal em inglês, Jorge (Octavio Gómez, de "Crash - No Limite").

Ele trabalha na lanchonete-título do filme como lavador de pratos. Jorge praticamente não conversa com ninguém em seu local de trabalho e é incomodado a todo momento por um colega, Jerry (Aaron Paul, de "Missão Impossível 3"), que vive provocando-o. Mais tarde, entra em cena a nova garçonete, uma sino-americana chamada Amy (Eugenia Yuan, de "Memórias de uma Gueixa").

Jorge mora com um sujeito, que passa o dia todo vendo televisão. Quando o lavador de pratos chega em casa, esse amigo lhe dá conselhos, sempre sugerindo violência para resolver os problemas.

A lanchonete está situada em Queens, subúrbio de Nova York, e é um ponto de concentração de imigrantes, de cores, línguas e nacionalidades variadas, fazendo o trabalho que os próprios americanos dispensam.

O filme de Barron, que tem em seu currículo videoclipes da banda A-ha e o primeiro filme protagonizado pelas Tartarugas Ninjas na década de 1990, pretende dar voz a esses "trabalhadores invisíveis". Fregueses entram e saem, funcionários brigam e o dono, o grego Ricky (Mandy Patinkin), viaja no feriado de Ação de Graças.

O excesso de personagens e a procura de um multiculturalismo politicamente correto, que manda a mensagem "precisamos entender e conviver com as diferenças)" fazem "Lanchonete Olympia" parecer o piloto de uma sitcom ruim e sem humor .

A espontaneidade de Eugenia Yuan poderia até salvar o filme - mas aí seria peso demais para o charme de uma única atriz, vivendo um papel mal escrito.

A resolução da história, que parece criada por algum psicanalista de botequim, afinal pede ao público aquilo de que o filme abusou até então: muito boa vontade.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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