Novo filme emprega humor para tratar da guerra do Iraque

quarta-feira, 8 de abril de 2009 11:55 BRT
 

Por Mike Collett-White

LONDRES (Reuters) - Depois de vários filmes sobre a guerra do Iraque terem fracassado nas bilheterias, uma sátira política mordaz sobre autoridades britânicas e norte-americanas forjando evidências dúbias para justificar a invasão do país espera que o humor seja capaz de fazer o que os longas anteriores não conseguiram.

"In the Loop" é uma comédia fictícia estrelada por James Gandolfini, mas o personagem de Malcolm Tucker, um assessor do primeiro-ministro britânico, traz paralelos evidentes com o assessor verdadeiro Alastair Campbell.

Cambpell trabalhou para Tony Blair e ajudou a preparar para o consumo do público as informações da inteligência usadas para justificar a guerra no Iraque.

O elenco de políticos britânicos e norte-americanos enredados na disputa entre partidários e opositores da guerra num país não especificado do Oriente Médio também visa ser suficientemente próximo da vida real para induzir o público à reflexão.

"Minha reação profissional e natural a tudo isso é apostar na comédia", disse o diretor escocês Armando Ianucci, que ficou revoltado com a campanha do governo britânico, que ele considerou enganosa, para levar o país a participar da invasão do Iraque em 2003, liderada pelos Estados Unidos.

"Quando você faz uma comédia sobre um tema, isso não significa que você esteja tornando o tema mais leve ou fazendo pouco caso dele", disse o diretor à Reuters em entrevista para promover o filme.

"Acho que a comédia ajuda você a analisar o assunto de várias maneiras. No último ano, mais ou menos, vários dramas sérios foram feitos sobre o Iraque, e o público os achou meio pesados e pouco atraentes. Eu quis fazer algo que fosse um pouco mais atemporal, mas também humano."

Os filmes relacionados à guerra do Iraque incluem alguns ambientados na zona do conflito ("Guerra Sem Cortes", "The Hurt Locker") e outros que tratam da vida das pessoas nos EUA ("No Vale das Sombras", "Nossa Vida Sem Grace"). A maioria foi praticamente ignorada pelo público norte-americano.   Continuação...