ESTREIA-Nem crise mundial atrapalha consumismo em "Becky Bloom"

quarta-feira, 8 de abril de 2009 16:40 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - "Os Delírios de Consumo de Becky Bloom", em cartaz em todo o país a partir de quinta-feira, é um filme para os tempos de crise, ideal para aqueles que sonham com saídas românticas para a recessão. Baseado na popular série britânica de livros de Sophie Kinsella, o filme tem como protagonista uma garota fútil e consumista cujo sonho é resolver miraculosamente seus problemas financeiros, que não são poucos.

Diferente dos livros, a ação não se passa em Londres, mas em Nova York, onde a personalidade consumista de Rebecca Bloomwood, mais conhecida como Becky Bloom (Isla Fisher, de "Penetras Bons de Bico"), parece mais à vontade. A personagem é uma compradora inveterada que não pensa duas vezes antes de sacar um de seus cartões de crédito e gastar.

Jornalista desempregada, Becky sonha em trabalhar numa revista de moda, dirigida por Alette Naylor (Kristin Scott Thomas, de "A Outra"). Mas acaba conseguindo um trabalho numa publicação especializada em finanças - o que é um tanto paradoxal, afinal, ela mal consegue administrar seu dinheiro, sendo constantemente perseguida por cobradores.

No fundo, "Os Delírios de Consumo de Becky Bloom" é um filme sobre uma mulher que começa a se entender melhor apenas quando decide que é hora de lidar com seu maior problema, seu consumismo desenfreado. Para controlar a situação, Becky procura um grupo de ajuda de Consumistas Anônimos, no qual pessoas se reúnem para ajudarem umas às outras a livrar-se da tentação que grita em cada vitrine.

Por mais engraçada que seja a premissa do filme, o tratamento superficial da personagem - na verdade, do sexo feminino em geral, pois nenhuma mulher do filme é muito normal - busca ridicularizar apenas, poucas vezes procurando um lado humano na personagem. Pode parecer divertido imaginar duas mulheres brigando por um par de botas - mas, na tela, o resultado é um pouco constrangedor.

Todos os clichês que apontam nas primeiras cenas materializam-se mais tarde, como é o caso do editor romântico e rico (Hugh Dancy, de "Ao Entardecer"), que inevitavelmente cairá pelo charme de Becky, ou a jornalista malvada da publicação de moda (Leslie Bibb, de "Homem de Ferro") que irá puxar o tapete da heroína para defender seus próprios interesses.

Justiça seja feita - impossível imaginar o longa sem Isla Fisher. Até agora coadjuvante em filmes como "Três Vezes Amor" e "Penetras Bons de Bico", aqui ela tem a chance de mostrar um pouco mais. A atriz firma-se como uma comediante promissora - a personagem provavelmente seria insuportável se interpretada por alguém menos talentosa. Mas merecia um filme melhor - coisa que o diretor P. J. Hogan ("O Casamento de Meu Melhor Amigo") já provou que é capaz de fazer com "O Casamento de Muriel" e "Peter Pan".

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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