10 de Abril de 2009 / às 15:21 / 8 anos atrás

"Sundance cubano" procura sobreviver à morte de Humberto Solás

Por Rosa Tania Valdés

HAVANA (Reuters) - O Festival de Cinema Pobre de Gibara, um espaço dinâmico para o cinema independente apelidado de "Sundance cubano", vai tentar este mês superar a morte de seu fundador, Humberto Solás, e a devastação de sua pitoresca sede por um furacão.

Seu diretor, Sergio Benvenuto, diz que o Festival de Cinema Pobre, que terá lugar este ano entre 13 e 19 de abril, vai manter seu dinamismo, com projeções de filmes e debates nas praças, cinemas e teatros de Gibara, uma vila de pescadores situada 800 quilômetros a leste de Havana.

O festival (www.festivalcinepobre.org) foi criado em 2003 por Solás, uma lenda do cinema cubano, inspirado no Festival Sundance de Cinema, criado por Robert Redford.

A mostra, dedicada ao cinema feito com pequenos orçamentos, foi crescendo até conquistar espaço no circuito internacional.

O festival ficou órfão em setembro passado com a morte de Solás, uma semana apenas depois de o forte furacão Ike ter devastado partes de Gibara.

"Estamos acostumados com obstáculos", disse Benvenuto, co-fundador do festival e sobrinho de Solás, em entrevista à Reuters. "Este ano o festival será forte, importante e sólido em todos os aspectos", acrescentou.

A partir da próxima semana, serão exibidos em Gibara mais de 260 trabalhos de cineastas independentes da América Latina, Alemanha, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, França, Índia, Itália, Rússia e Suécia.

O espírito de Solás, diretor de clássicos do cinema cubano como "Lucía" (1968), "Un hombre de Exito" (1986) e "El siglo de las luces" (1991), estará presente nas ruas de paralelepípedos dessa cidade do início do século 19, com telhados vermelhos e frondosa vegetação tropical.

"Humberto já tinha coisas planejadas para muitos anos", disse Benvenuto em sua sala no Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográficas, entre catálogos recém-impressos e cercado de um grupo de jovens colaboradores.

O festival continuará avesso às estrelas e tapetes vermelhos, das quais Solás, explicou Benvenuto, estava "farto."

A sétima edição do festival inclui filmes de ficção, roteiros inéditos, projetos em desenvolvimento e documentários. O Festival distribui prêmios entre 1.000 e 20 mil dólares.

"APOIO INCRÍVEL"

Benvenuto disse que, depois da morte de Solás e da passagem do furacão Ike, o festival de Gibara recebeu "apoio incrível" do mundo intelectual.

O ator cubano Jorge Perugorría, por exemplo, protagonista de "Morangos e Chocolate," organizou um leilão de arte que arrecadou mais de 21 mil dólares que foram doados para as obras de recuperação de Gibara.

De acordo com Benvenuto, várias ONGs e as autoridades locais ajudaram a reconstruir a vila de pescadores e apagar as imagens de destruição que entristeceram os cubanos em setembro.

Como artífice do cinema feito com baixo orçamento, Solás voltou seu olhar a temas polêmicos da realidade social cubana em filmes como "Miel para Oshún" (2001), em que trata do dilema da emigração.

A pedido de Solás, a mostra vai homenagear este ano o falecido ícone do cinema cubano Tomás "Titón" Gutiérrez Alea, diretor de clássicos como "Memorias del Subdesarrollo", "Morangos e Chocolate" e "A Última Ceia."

Entre os longas de ficção que serão vistos este ano estão o thriller austríaco "Facetten," de Erik Etschel, o filme chileno "Descendents", de Jorge Olguin, e os trabalhos cubanos "Los dioses rotos", de Ernesto Daranas, e "La anunciación", de Enrique Pineda Barnet.

O festival será aberto com uma obra de Solás.

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