14 de Abril de 2009 / às 19:25 / 8 anos atrás

Funcionários que bajulam chefes prejudicam empresas

Por Ellen Wulfhorst

NOVA YORK (Reuters) - Se, no seu trabalho, houver um pouco mais bajulação explícita e entusiasmo declarado do que o normal, não se surpreenda.

Quer isso seja chamado de puxar o saco, bajular o chefe ou administrar uma situação, especialistas dizem que os comportamentos bajuladores estarão em alta nos locais de trabalho na medida em que os funcionários temem perder seus empregos nestes tempos econômicos difíceis.

Mas, segundo eles, esse tipo de comportamento pode prejudicar as empresas.

"As pessoas que fazem isso querem que as outras pessoas percebam o que estão fazendo", explicou Max Caldwell, especialista em eficácia da força de trabalho na consultoria Towers Perrin.

"É uma mentalidade de 'não apenas quero fazer um bom trabalho, como quero que vejam que estou fazendo um bom trabalho'".

Esse tipo de comportamento aumenta quando as apostas em jogo são altas, disse Jennifer Chatman, professora de comportamento organizacional na Universidade da Califórnia em Berkeley.

"É o que fazemos quando nos sentimos vulneráveis às decisões de outros", ela explicou. "Eu imagino que, se colhêssemos dados neste momento, veríamos que esse tipo de coisa anda acontecendo em grande escala, porque as pessoas estão se sentindo mais vulneráveis."

Num ambiente como esse, subordinados podem elogiar decisões equivocadas de um chefe e evitar falar com franqueza ou transmitir más notícias, disse ela.

"Manter puxa-sacos pode ser prejudicial para a empresa", disse Chatman.

Segundo alguns pesquisadores, porém, a adulação funciona.

Contestar menos o que diz um executivo-chefe, fazer mais elogios a ele e lhe fazer favores pessoais aumentam em 64 por cento a probabilidade de um funcionário ser chamado para integrar o conselho de direção de empresas, constatou um estudo da Universidade do Texas.

CHEGAR CINCO MINUTOS MAIS CEDO

Num estudo separado feito por Chatman foi constatado que candidatos a empregos que agem de maneira insinuante têm 20 por cento mais chances de conseguir o emprego.

É a natureza humana, disse ela. "Pessoas que trazem informações positivas, que fazem o chefe se sentir bem com as decisões que tomou, que reforçam a confiança dele, essas pessoas se saem melhor."

A treinadora profissional Frances Cole Jones, autora do livro "How to Wow" (Como fazer sucesso), diz que não é preciso envergonhar-se desse tipo de comportamento. O conselho dela para tempos de dificuldade econômica é: vá para o trabalho mais cedo, fique até mais tarde, assista às reuniões e ofereça-se como voluntário para fazer trabalho extra.

Mas alguns especialistas, como Bill Hanover, autor de "No Sucking Up" (algo como "não à bajulação"), desaprovam por completo o comportamento bajulador.

"Se você valoriza o respeito próprio, o respeito de seus pares e líderes, então bajular um superior para conseguir uma promoção deixará você sentindo envergonhado e carente", ele escreveu. "Não o faça".

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