ESTREIA-"Fumando Espero" exibe com bom humor luta contra o vício

quinta-feira, 7 de maio de 2009 19:15 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A diretora Adriana Dutra faz sua estreia em longa-metragem com um documentário bem humorado sobre um tema muito sério: a dificuldade dos fumantes em parar de fumar.

"Fumando Espero" estreia em São Paulo em um momento muito oportuno, quase simultaneamente à proibição do cigarro em ambientes fechados por força de lei estadual. E a própria diretora aproveita o filme para também abandonar o vício, com ajuda médica e dos próprios entrevistados, que revelam as dificuldades que enfrentaram nessa luta difícil.

"Fumando Espero" pode servir de apoio às pessoas que lutam para abandonar o cigarro ou para as entidades engajadas na luta contra o tabagismo. É um filme bem intencionado, mas poderá ter dificuldades para atingir plateias mais amplas que não estejam envolvidas com o tema, como fumantes, médicos e ativistas da causa antitabagista.

O título é uma menção bem humorada a um tango muito popular nos anos 1950 na Argentina e que ganhou versão em português na voz de Ângela Maria.

A diretora e roteirista intercala sua luta pessoal com imagens e dados sobre a história do cigarro no mundo e depoimentos de médicos, especialistas, fumantes e ex-fumantes.

Enquanto se submetia a exames, entrevistava pessoas que, um dia, também tiveram coragem de tomar a mesma decisão, como o ator Ney Latorraca, que só se convenceu ao ouvir, pelo telefone, a advertência de um médico: "Pela sua voz, você pode estar com câncer, venha para o consultório imediatamente".

O ator relembra: "Eu demorei para sacar que precisava de ajuda médica. Nesse dia eu senti que estava com os dias contados e então parei."

O tom alarmista do médico, que felizmente era infundado, foi a estratégia de choque que funcionou no caso do ator, que ainda sente vontade de voltar a fumar ao cruzar com pessoas tragando seus cigarros ou ver uma bituca ainda acesa no chão.

O bom do filme é que não passa a imagem de cruzada santa e trata todos com respeito, tanto fumantes como ex-fumantes. Como deixa claro uma das entrevistadas de uma entidade antitabagista, a luta não é contra o fumante ou o pequeno agricultor que planta tabaco.   Continuação...