Diretor Lou Ye desafia em Cannes risco de perseguição na China

quinta-feira, 14 de maio de 2009 14:27 BRT
 

Por James Mackenzie

CANNES (Reuters) - O diretor chinês Lou Ye minimizou os receios de que possa enfrentar problemas com as autoridades quando voltar a seu país depois de exibir seu novo filme, "Spring Fever", no Festival de Cinema de Cannes.

Drama explícito que trata do tema tabu da homossexualidade, o filme foi rodado em segredo, depois de as autoridades terem proibido Lou de fazer filmes por cinco anos, após seu última longa-metragem, "Palácio de Verão".

Exibido em Cannes em 2006, esse filme tratou do movimento de protesto que levou à repressão brutal na Praça da Paz Celestial em 1989 e valeu a Lou aclamação internacional, mas o condenou ao ostracismo no mundo oficial do cinema chinês.

Falando na quinta-feira, porém, após a sessão em que "Spring Fever" foi exibido para a imprensa em Cannes, o cineasta procurou moderar o furor que vem cercando o tema do filme e seus problemas com o poderoso Escritório Chinês de Cinema.

"Espero que eu seja o último diretor a ser proibido na China", disse ele em resposta a uma das muitas perguntas sobre a proibição a que foi sujeito, a mais recente em uma série de enfrentamentos com as autoridades que remetem a trabalhos anteriores dele, como "Suzhou River", que também foi filmado em segredo.

"Espero que nada aconteça quando eu retornar à China. Sou apenas um diretor que fez um filme", disse ele. "'Não tenha medo do cinema' - é isso o que digo a mim mesmo."

"Mas não creio que vá acontecer qualquer coisa. Não acredito que haverá repercussões. De qualquer maneira, não penso no futuro. Penso apenas no presente."

Rodado em tons cinzentos e soturnos, com câmeras de mão, "Spring Fever" conta a história de uma mulher que contrata um homem para espionar uma relação homossexual em que seu marido está envolvido, e a explosão obsessiva que se segue.   Continuação...

 
<p>Diretor chin&ecirc;s Lou Ye em uma coletiva de imprensa por seu filme "Chun feng chen zui de ye wan" (Spring Fever) no 62o Festival de Cinema de Cannes. 14/05/2009. REUTERS/Jean-Paul Pelissier</p>