14 de Maio de 2009 / às 17:30 / 8 anos atrás

Diretor Lou Ye desafia em Cannes risco de perseguição na China

<p>Diretor chin&ecirc;s Lou Ye em uma coletiva de imprensa por seu filme "Chun feng chen zui de ye wan" (Spring Fever) no 62o Festival de Cinema de Cannes. 14/05/2009. REUTERS/Jean-Paul Pelissier</p>

Por James Mackenzie

CANNES (Reuters) - O diretor chinês Lou Ye minimizou os receios de que possa enfrentar problemas com as autoridades quando voltar a seu país depois de exibir seu novo filme, “Spring Fever”, no Festival de Cinema de Cannes.

Drama explícito que trata do tema tabu da homossexualidade, o filme foi rodado em segredo, depois de as autoridades terem proibido Lou de fazer filmes por cinco anos, após seu última longa-metragem, “Palácio de Verão”.

Exibido em Cannes em 2006, esse filme tratou do movimento de protesto que levou à repressão brutal na Praça da Paz Celestial em 1989 e valeu a Lou aclamação internacional, mas o condenou ao ostracismo no mundo oficial do cinema chinês.

Falando na quinta-feira, porém, após a sessão em que “Spring Fever” foi exibido para a imprensa em Cannes, o cineasta procurou moderar o furor que vem cercando o tema do filme e seus problemas com o poderoso Escritório Chinês de Cinema.

“Espero que eu seja o último diretor a ser proibido na China”, disse ele em resposta a uma das muitas perguntas sobre a proibição a que foi sujeito, a mais recente em uma série de enfrentamentos com as autoridades que remetem a trabalhos anteriores dele, como “Suzhou River”, que também foi filmado em segredo.

“Espero que nada aconteça quando eu retornar à China. Sou apenas um diretor que fez um filme”, disse ele. “‘Não tenha medo do cinema’ - é isso o que digo a mim mesmo.”

“Mas não creio que vá acontecer qualquer coisa. Não acredito que haverá repercussões. De qualquer maneira, não penso no futuro. Penso apenas no presente.”

Rodado em tons cinzentos e soturnos, com câmeras de mão, “Spring Fever” conta a história de uma mulher que contrata um homem para espionar uma relação homossexual em que seu marido está envolvido, e a explosão obsessiva que se segue.

Lou disse que vê seu filme como história de amor, mais que como história sobre homossexualismo, algo que é visto na China com desaprovação profunda, tanto pelo Estado quanto pela sociedade em geral.

“Não filmei muita homossexualidade. Mostrei relacionamentos complexos de todos os tipos. Mostrei sentimentos, mostrei amor.”

As cenas tórridas de sexo entre homens exigiram performances ousadas de seus atores principais, Qin Hao, Wei Wu e Chen Sicheng, mas eles elogiaram a liberdade que Lou lhes permitiu durante as filmagens.

“Cinema é cinema”, disse Chen Sicheng, que faz o homem contratado para investigar o caso clandestino. “Quando você é ator, muitas vezes é preciso fazer escolhas.”

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