Romance da prisão, "Un Prophète" é aplaudido em Cannes

sábado, 16 de maio de 2009 12:16 BRT
 

Por James Mackenzie

CANNES (Reuters) - O diretor francês Jacques Audiard foi aclamado neste sábado no Festival de Cannes pelo filme realístico sobre a prisão intitulado "Un Prophète". O filme mostra a ascensão gradual de um jovem prisioneiro e faz um duro retrato da vida no sistema prisional francês, cujas más condições causaram uma onda de protestos de carcereiros nas últimas semanas.

Entretanto, Audiard, cujos filmes anteriores incluem "De Tanto Bater meu Coração Parou", afirmou que sua intenção era fazer um romance, não um documentário social ou atacar o sistema prisional.

"O que me interessou foi pegar a prisão como uma metáfora para a sociedade", afirmou o diretor em uma coletiva de imprensa após o filme ter sido muito aplaudido em sua exibição em Cannes.

"Mas eu não estava interessado em denunciar algo, o que teria me levado para outro lugar. Eu realmente queria um filme de gênero com atores que não eram conhecidos", afirmou. "Algo como 'O Homem Que Matou Liberty Valence' sem John Wayne".

"Un Prophète," o primeiro filme francês a ser mostrado no festival neste ano, conta a história de Malik El Djebena, um desabrigado e analfabeto de 19 anos à mercê de uma gangue da Córsega, que controla a prisão onde ele vive.

Mudando a linguagem entre o francês, o dialeto da Córsega e o arábico, o filme segue Malik, interpretado por Tahar Rahim, enquanto ele manipula uma luta pelo poder entre a gangue e rivais muçulmanos.

Filmado em um cenário fora de Paris, "Un Prophète" tenta evitar os clichês de generalizações de histórias de prisão e obedece várias convenções de um gênero que é popular na França desde os tempos de Victor Hugo, no século 19.

Embora Audiard tenha afirmado que sua intenção não era apresentar uma análise cultual e social, o filme reflete vários temas que atraíram grande atenção na França, incluindo as tensões associadas aos imigrantes pobres muçulmanos.

"Eu estava interessado em fazer um filme onde houvesse idiomas que não sejam entendidos, coisas que aproximam um grupo dos outros", disse. "Também houve a ideia de estabelecer a estrutura ficando envelhecida com novos grupos chegando com outras culturas, outras linguagens, outros costumes."

 
<p>Diretor Jacques Audiard do filme "Un Proph&egrave;te" no 62o Festival de Cannes. 16/05/2009. REUTERS/Vincent Kessler</p>