Tradição do cinema realista continua forte em Cannes

terça-feira, 19 de maio de 2009 13:16 BRT
 

Por James Mackenzie

CANNES (Reuters) - Um jovem ensina música a um grupo de crianças iranianas, um garoto aborígine na Austrália central cheira cola, um grupo de soldados entediados passa o tempo fumando até a chegada de um ônibus repleto de prisioneiros que serão fuzilados.

Ao lado do glamour do tapete vermelho e dos experimentos vanguardistas, o cinema de realismo social ocupa um lugar especial no Festival de Cinema de Cannes desde que o clássico neo-realista "Roma - Cidade Aberta", de Roberto Rossellini, foi exibido em 1946.

Este ano, vários filmes levam a tradição adiante e lançam um olhar implacável sobre o mundo contemporâneo.

"No one Knows about Persian Cats", do diretor iraniano Bahman Ghobadi, é um dos filmes mais comentados da sessão Um Certo Olhar.

Descrito como "documentário-ficção", o filme mostra o cenário da música underground para ilustrar algumas das restrições mais amplas da sociedade iraniana contemporânea.

"O movimento musical é uma coisa enorme, e, ao mesmo tempo, a música é proibida no Irã, especialmente o canto de mulheres", disse Ghobadi à Reuters.

"Gosto de música e gosto de música underground. Por isso fiz o filme. Eu quis fazer um retrato do que vem acontecendo na música."

Ghobadi pode correr o risco de ser encarcerado por apresentar o filme, mas ele fez pouco caso das preocupações sobre como podem reagir as autoridades de seu país.   Continuação...

 
<p>Diretor iraniano Bahman Ghobadi no 62o Cannes. 15/05/2009. REUTERS/Eric Gaillard</p>