ESTREIA-Documentário recupera figura do poeta Patativa do Assaré

quinta-feira, 21 de maio de 2009 09:12 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Conhecido por filmes de ficção inspirados pela cultura popular, como "Corisco & Dadá" (1996) e "Lua Cambará - Nas Escadarias do Palácio" (2002), o cineasta Rosemberg Cariry escolhe como protagonista deste documentário, que estreia em São Paulo na sexta-feira, o poeta popular e violeiro Patativa do Assaré (1909-2002).

Um aspecto central deste filme é o resgate da figura do artista, cujo nome verdadeiro era Antônio Gonçalves da Silva, nascido na cidadezinha de Assaré, no sertão cearense, que depois assumiu o pseudônimo artístico, o nome de um pássaro.

Os fatos essenciais de sua vida aconteceram na infância. Como ele mesmo conta, não frequentou mais de seis meses de escola, o que não o impediu de manejar a língua portuguesa com segurança e sofisticação. Autodidata, ele aprendeu a dominar seus segredos na leitura de livros, especialmente dos poetas da terra, além de jornais e revistas, mais do que nas gramáticas, que nunca o atraíram.

Bem antes disso, aos 4 anos, um conjunto de doenças mal-curadas custou-lhe a visão de um olho. A pobreza em que sua família vivia foi agravada pela morte precoce do pai, quando Patativa tinha 9 anos.

Agricultor por necessidade de sobrevivência desde essa idade, Patativa encontrou cedo também a viola, empunhando-a, ainda adolescente, junto com seus versos, em circuitos populares de feiras e festas.

O primeiro reconhecimento de fora do seu meio veio numa curta viagem a Belém do Pará, que o expôs a outros ares e estilos em plena prosperidade do ciclo da borracha, nas primeiras décadas do século 20. Logo ele retornou ao Ceará, saudoso das raízes que sempre o inspiraram.

VEIA POLÍTICA

Na vida sacrificada dos sertanejos, sempre no centro de suas poesias, intuitivamente também encontrou uma raiz política. Como ele conta numa entrevista à televisão, já nos anos 1980, leu também por sua conta Marx e Lênin e se confessa "um socialista de coração".

Assim, a migração, a reforma agrária, os desmandos dos poderosos, a desigualdade na divisão das riquezas, tudo isso nutriu sua inspiração em trabalhos conhecidos como "Triste Partida" - gravada por Luiz Gonzaga -, "Eu Quero", "Teia de Aranha" e "Seu Dotô não me Conhece".   Continuação...