Michael Haneke exibe em Cannes olhar sobre as raízes do terror

quinta-feira, 21 de maio de 2009 15:51 BRT
 

Por James Mackenzie

CANNES (Reuters) - Acontecimentos estranhos e sinistros ocorridos num vilarejo do norte da Alemanha pouco antes do início da 1a Guerra Mundial formam a base do novo filme do diretor austríaco Michael Haneke, "The White Ribbon" (A Fita Branca), em exibição no Festival de Cinema de Cannes.

O filme usa um grupo de crianças vivendo num ambiente morbidamente repressor de hipocrisia religiosa e abuso sexual para analisar a geração que criou a Alemanha nazista.

Mas Haneke, cujo último filme em Cannes foi o aclamado "Caché", disse que sua intenção foi ilustrar um problema mais amplo, que afeta não apenas a Alemanha.

"Não quero que o filme seja visto como apenas um filme sobre o fascismo", disse ele em entrevista coletiva à imprensa.

"A intenção foi contar a história de um grupo de crianças que aderem plenamente aos ideais que lhes são pregados por seus pais", disse ele.

"E, sempre que você adere a um ideal em termos absolutos, o torna desumano. Essa é a raiz de qualquer forma de terrorismo", afirmou.

"The White Ribbon" foi aplaudido na sessão para a imprensa e está sendo visto como forte candidato à Palma de Ouro, o prêmio máximo do festival, algo que Haneke ainda não alcançou, apesar de seus muitos trabalhos que foram sucesso de crítica.

O filme começa com um acidente não explicado e então mostra uma série de ocorrências misteriosas que parecem de alguma maneira estar relacionados às crianças do povoado, que o tempo todo se comportam com um misto perturbador de subserviência e sigilo.   Continuação...

 
<p>Diretor Michael Haneke no 62o Festival de Cannes. 21/05/2009. REUTERS/Eric Gaillard</p>