25 de Maio de 2009 / às 15:11 / 8 anos atrás

Haneke vence em Cannes, mas "Anticristo" não será esquecido

<p>Cineasta austr&iacute;aco Michael Haneke ap&oacute;s receber a Palma de Ouro do 62o Festival de Cannes com o filme "Das Weisse Band" (A Fita Branca). 24/05/2009. REUTERS/Jean-Paul Pelissier</p>

Por Mike Collett-White e James Mackenzie

CANNES (Reuters) - O Festival de Cinema de Cannes terminou premiando um filme elogiado do diretor austríaco Michael Haneke, mas as imagens mais contundentes vistas na maior vitrine do cinema mundial este ano podem ser as do chocante “Anticristo”, de Lars von Trier.

“The White Ribbon” (A Fita Branca), de Haneke, recebeu a cobiçada Palma de Ouro na cerimônia de encerramento do festival, na noite de domingo, e o júri elogiou o diretor de 67 anos pelo exame sutil que apresentou das raízes do terror nazista.

O jornal italiano Corriere della Sera, em sua edição de segunda-feira, descreveu o filme como “o mais anômalo, profundo e alarmante do festival”, e o jornal francês Le Figaro o qualificou de “extraordinário”.

Rodado em preto e branco e ambientado num povoado do norte da Alemanha na véspera da 1a Guerra Mundial, “The White Ribbon” explora a maneira como uma educação opressora pode moldar a forma de crianças pensarem e agirem.

O diretor - cujo último filme apresentado em Cannes, “Caché”, não recebeu a Palma de Ouro apesar de ter sido o favorito absoluto --, insistiu que “The White Ribbon” não trata apenas da ascensão do fascismo na Alemanha, mas de qualquer tipo de fanatismo violento.

Entre o público se ouviram alguns resmungos pelo fato de o trabalho francês “Un Prophète” ter sido preterido para o primeiro prêmio.

O contundente drama carcerário de Jacques Audiard liderou as pesquisas de críticos antes da premiação. Mas recebeu o segundo prêmio, o Grand Prix.

Vários comentaristas observaram que a atriz Isabelle Huppert, que presidiu o júri, protagonizou outro filme de Haneke, “A Professora de Piano”, de 2001, pelo qual ganhou o prêmio de melhor atriz em Cannes.

Mas a maior controvérsia em Cannes - o tipo de polêmica que costuma beneficiar o festival - foi provocada por “Anticristo”, a história de Von Trier sobre um casal em luto cuja estadia numa cabana isolada vira um inferno em vida, repleta de imagens sexuais e de violência explícitas.

Vaias ruidosas na sessão para a imprensa se sobrepuseram aos poucos espectadores que aplaudiram, e muitos na plateia se disseram ofendidos com o que viram como cenas explícitas gratuitas.

Von Trier causou indignação ainda maior entre jornalistas ao declarar, em coletiva de imprensa: “Não fiz (o filme) para vocês ou para uma plateia.”

Charlotte Gainsbourg, que protagoniza o filme ao lado de Willem Dafoe, levou para casa o prêmio de melhor atriz.

A cerimônia de premiação encerrou os 12 dias do festival, durante os quais a crise financeira global se refletiu numa presença pequena de astros e estrelas no tapete vermelho e nas festas pelas quais Cannes é famosa.

Vários filmes muito apreciados ficaram sem prêmio algum. Foi o caso de “Os Abraços Partidos” (“Los Abrazos Rotos”), de Pedro Almodóvar e estrelado por Penelope Cruz, e de “Bright Star”, de Jane Campion, sobre o romance entre o poeta John Keats e sua amada Fanny Brawne.

Os últimos filmes exibidos na competição, incluindo a história movida a drogas “Enter the Void”, de Gaspar Noe, e “Visage”, do diretor taiuanês Tsai Ming-Liang, também tiveram recepção morna.

Mas, apesar das reservas da crítica em relação a alguns dos filmes, a 62a edição do festival foi amplamente vista como sucesso.

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