Fama que acompanha reality shows tem seu lado sombrio

terça-feira, 16 de junho de 2009 11:09 BRT
 

Por Laura Isensee

LOS ANGELES (Reuters) - Os participantes dos programas de talentos na TV criam fantasias sobre fama e fortuna, mas para algumas pessoas a participação provoca problemas de estresse, ansiedade, depressão e até suicídio.

Mas de quem é a culpa quando uma pessoa comum vira sensação da TV da noite para o dia e não consegue lidar com isso? Quando Susan Boyle adoece depois de perder o primeiro lugar no "Britain's Got Talent" ou Paula Goodspeed, participante do "American Idol" que foi ridicularizada depois de uma apresentação ruim, comete suicídio diante da casa de uma jurada do programa?

Produtores e analistas de TV variam de opinião, mas todos dizem que as TVs que transmitem os programas, as empresas que os produzem e os próprios participantes dividem parte da responsabilidade.

O estresse emocional "pode depender da bagagem anterior da pessoa", disse o professor de psiquiatria John Lucas. Alguns participantes podem já ser vulneráveis à depressão ou esperar que a participação em um programa "vá mudar a percepção que os outros têm deles ou sua capacidade de lidar com o dia-a-dia. E é pouco provável que isso aconteça."

As redes de TV pedem às produtoras que avaliem os candidatos para detectar possíveis problemas de saúde mental, disse David Broome, produtor executivo de "The Biggest Loser", no qual os participantes perdem peso.

Os tipos de exames variam, mas pessoas que passam semanas isoladas em grupos pequenos, como em "Survivor" e "Big Brother", passam por avaliações mais rigorosas que os participantes de "Idol" ou "Britain's Got Talent."

Os participantes no "Biggest Loser" passam por avaliações psicológicas e médicas completas, e os produtores prevêem o surgimento de alguns problemas de saúde mental porque "o peso é uma questão emocional em quase 100% dos casos", disse Broome.

Mesmo assim, é impossível prever a reação das pessoas quando percebem que a bolha de celebridade se rompeu com o término do programa.

Por enquanto, pelo menos, tirar esse tipo de programa do ar parece impossível, porque eles estão entre os de maior audiência das emissoras e garantem milhões de dólares de receita publicitária.

Além disso, para cada Susan Boyle há um Clay Aiken, segundo colocado que acabou tendo sucesso e se lançando numa carreira nova.

 
<p>Foto de arquivo de Susan Boyleem sua casa. 08/05/2009. REUTERS/David Moir/Arquivo</p>