ESTREIA-Documentário "Loki" faz retrato do fundador dos Mutantes

quinta-feira, 18 de junho de 2009 12:38 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - "Cê tá pensando que eu sou loki, bicho?/Sou malandro velho/não tenho nada com isso" - estes são os primeiros versos de uma das músicas mais notórias do rock brasileiro, intitulada justamente "Cê tá pensando que eu sou Loki, bicho?". Uma canção que transpira não apenas nostalgia e melancolia, mas, acima de tudo, uma volta por cima.

Essa mesma atmosfera é que dá o tom ao documentário "Loki - Arnaldo Baptista", que estreia em circuito nacional, depois de uma bem-sucedida passagem no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo 2008. Nos dois, recebeu o prêmio de público na sua categoria. Além do prêmio de melhor documentário no Festival de Miami, encerrado na semana passada.

Primeiro longa produzido, finalizado e distribuído pelo Canal Brasil, é pouco provável que o documentário chegasse aos cinemas, até porque foi feito para a TV. Mas a sua acolhida nos festivais mostrou seu potencial de ultrapassar essa fronteira.

Rico em pesquisa de imagens e músicas, "Loki - Arnaldo Baptista", mais do que uma cinebiografia de um dos mais importantes músicos do rock nacional, chega a ser o retrato de uma geração e de uma época.

Os depoimentos de amigos de Arnaldo e especialistas em música colaboram para traçar esse retrato de impressões que não visa explicar ou desvendar o biografado, mas sim buscar a sua inquietação artística.

Ao longo das duas horas de filme, vê-se Arnaldo não apenas cantando em diversas fases de sua vida, mas pintando um quadro. A pintura se tornou sua válvula de escape. Nela, consegue exprimir suas emoções e pensamentos um quê de psicodélico tão típico de Os Mutantes, considerados como uma das bandas mais criativas da história do rock nacional.

A história de vida desse fundador dos Mutantes é tão fantástica que se o filme fosse ficção talvez parecesse irreal. Desde sua paixão quase doentia - que talvez dure até hoje - por Rita Lee, até seus problemas emocionais e uma tentativa de suicido, Arnaldo coloca em suas músicas as dores e alegrias.

Atualmente, o músico mora numa casa de campo ao lado de sua mulher, Lucinha Barbosa, que começou a cuidar dele durante um coma, após a tentativa de suicídio. É uma história de amor que parece saída da ficção.

Suas pinturas, músicas e depoimentos são a parte mais poética do documentário, dirigido, roteirizado e montado por Paulo Henrique Fontenelle.   Continuação...