Governo argentino promete mudança sob críticas da oposição

quarta-feira, 8 de julho de 2009 14:20 BRT
 

Por Helen Popper

BUENOS AIRES (Reuters) - O governo argentino prometeu nesta quarta-feira fazer mudanças em sua política depois de uma forte derrota nas eleições legislativas, mas oposicionistas disseram que a reformulação ministerial foi superficial e não correspondeu às exigências de alteração da política governamental.

A presidente Cristina Fernández substituiu seu ministro da Economia e chefe de gabinete na noite de terça-feira enquanto a oposição aumentava a pressão sobre ela para que reconheça a rejeição dos eleitores a seu estilo aguerrido e às suas políticas econômicas e defina um novo rumo para o governo.

"Se os eleitores votaram de uma certa maneira, eles estão claramente pedindo mudanças em algumas políticas e temos de ser suficientemente sábios para compreendê-los e efetuar as modificações", disse o ministro da Justiça, Aníbal Fernández, nomeado chefe de gabinete.

Opositores do governo disseram que a reformulação foi só de fachada. A expectativa era que os mercados financeiros reagissem negativamente à reformulação, que também incluiu a nomeação de Amado Boudou, dirigente da Previdência, para o posto de ministro da Economia.

A oposição quer a troca de outros ministros criticados, como o secretário do Comércio Interno, Guillermo Moreno, acusado de maquiar dados econômicos para obter ganhos políticos e principal encarregado de pôr em prática as políticas anti-inflacionárias não-ortodoxas.

"Isto é apenas maquiagem. O que o governo precisa fazer é...parar de manipular dados do Indec (o IBGE local) e indicar um ministro da Economia independente", disse Gerardo Morales, líder do oposicionista Partido Radical.

Francisco de Narvaez, que derrotou o marido de Cristina Fernández, o ex-presidente Nestor Kirchner, na disputa por uma cadeira do Senado na província de Buenos Aires, disse que é necessário fazer "mudanças drásticas".

Analistas econômicos disseram esperar grandes mudanças na política do governo como decorrência da reformulação do ministério, mas a previsão era que os mercados recebessem mal a mudança. O peso perdeu um pouco de seu valor em relação ao dólar na abertura dos mercados e os preços das ações caíram.   Continuação...

 
<p>Foto de arquivo da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, com Amado Boudou, dirigente da Previd&ecirc;ncia, em Buenos Aires. Maio/2009. REUTERS/Arquivo</p>