ESTREIA-"Bem-Vindo" traz políticas antiimigrantes na França

quinta-feira, 9 de julho de 2009 07:50 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Ao ser lançado na França, em março de 2009, o filme "Bem-Vindo", de Philippe Lioret, causou polêmica. O motivo foi denunciar os problemas legais criados por um professor de natação francês, Simon (Vincent Lindon, de "Sem Escândalo"), pelo fato de ter abrigado e ajudado um imigrante ilegal, o jovem curdo Bilal (Firat Ayverdi).

A produção estreia apenas em São Paulo nesta quinta-feira, por causa do feriado estadual paulista.

Na esteira dessa polêmica, o Partido Socialista francês redigiu um projeto de lei batizado de "Welcome", título original do filme, em que propôs a supressão do chamado "delito de solidariedade". Trata-se dos artigos L622-1 e L622-4 do Código de Entrada e Estadia de Estrangeiros, que penalizam com prisão de cinco anos e multa de 30 mil euros quem ajudar, transportar ou abrigar qualquer imigrante ilegal na França.

Simon, o professor de natação, faz tudo isso por Bilal, jovem curdo que procura há meses chegar a Londres, para reencontrar a namorada, Mina (Derya Ayverdi).

Acaba de chegar a Calais, França, num campo de refugiados e não tem nem dinheiro nem permissão para seguir a viagem. Divorciado, Simon sofre de um desespero amoroso semelhante, pois não consegue esquecer a ex-mulher, Marion (Audrey Dana).

O improvável encontro entre esses dois homens oferece a oportunidade para que o diretor Philippe Lioret (de "Senhorita") construa uma crônica sólida de como a intolerância contra os imigrantes se manifesta nos dias de hoje no continente considerado como o berço da cultura e da civilização, a Europa -- cujo progresso econômico atrai sem cessar estrangeiros de todos os pontos do planeta.

Há um comentário político em cada cena do filme, mas ele não se traduz em nenhuma forma de discurso. O roteiro, de Olivier Adam e Emmanuel Courcol, cria contexto para seus personagens com riqueza de detalhes não raro incômodos. Assiste-se à tentativa de Bilal e outros imigrantes ilegais de atravessar a fronteira francesa, escondidos num caminhão. Para passarem pela fiscalização, precisam enfiar sacos plásticos na cabeça e prender a respiração por alguns minutos - caso contrário, os sensores dos fiscais identificam o gás carbônico liberado. Bilal não aguenta e, por isso, ele e os companheiros são presos. Não sem antes ganharem números gravados com tinta indelével em suas mãos, detalhe que lembra os campos de concentração nazistas.

Liberados temporariamente, depois disso, para circular na cidade de Calais, os imigrantes de pele morena são destratados a cada passo. São mesmo impedidos de entrar em supermercados, ainda que mostrem seu dinheiro. Uma situação que perturba pessoas como Marion, a ex-mulher de Simon, uma voluntária especializada em assistência social a esses estrangeiros deslocados, sem futuro à vista.

Aparecendo na academia onde Simon leciona em busca de aulas de natação, Bilal tem um plano secreto: atravessar a nado o canal da Mancha e chegar a Londres a tempo de impedir o casamento arranjado para sua namorada pelo pai dela. De nada adianta o professor adverti-lo sobre os perigos da jornada, que dura dez horas ou mais, em água gelada e sob risco da travessia de grandes navios.   Continuação...

 
<p>Ao ser lan&ccedil;ado na Fran&ccedil;a, em mar&ccedil;o de 2009, o filme "Bem-Vindo", de Philippe Lioret, causou pol&ecirc;mica. O motivo foi denunciar os problemas legais criados por um professor de nata&ccedil;&atilde;o franc&ecirc;s, Simon (Vincent Lindon, de "Sem Esc&acirc;ndalo"), pelo fato de ter abrigado e ajudado um imigrante ilegal, o jovem curdo Bilal (Firat Ayverdi). REUTERS/Hannibal Hanschke</p>