July 13, 2009 / 5:41 PM / 8 years ago

George W. Bush inspirou historiador e romancista Tariq Ali

4 Min, DE LEITURA

<p>Foto de arquivo do escritor paquistan&ecirc;s Tariq Ali. 24/01/2003.Sergio Moraes</p>

Por Martin Roberts

GIJÓN, Espanha (Reuters) - O escritor, ativista político e cineasta paquistanês Tariq Ali pensou que tivesse passado definitivamente da não-ficção para a ficção em 1990, depois da queda do Muro de Berlim, mas voltou a escrever não-ficção depois de os Estados Unidos terem decidido invadir o Afeganistão e o Iraque.

Ali já tinha publicado os primeiros três títulos de seus romances "Crônicas do Islã", que mapeiam o encontro entre o islã e a cristandade ocidental ao longo dos séculos, quando aconteceu o 11 de Setembro e o governo liderado pelo então presidente George W. Bush tomou a decisão de invadir os dois países.

"George Bush me inspirou a escrever não ficção outra vez," disse Ali em coletiva de imprensa no festival de livros Semana Negra em Gijon, no norte da Espanha, que costuma atrair 1 milhão de pessoas por ano.

"Meus editores me perguntavam 'quando você vai concluir as Crônicas?', e eu dizia 'perguntem a George Bush. Ele vai lançar uma guerra contra um terceiro país?'"

Depois do 11 de Setembro, Ali escreveu "Confronto de Fundamentalismos", um trabalho de não-ficção que detalha a história que precedeu os ataques a Nova York e Washington e explora a história política do islã como pano de fundo.

Recentemente, ele escreveu em tom crítico sobre a aliança entre os EUA e seu país de origem, o Paquistão, em "The Duel: Pakistan on the Flight Path of American Power" (O duelo: o Paquistão na rota de vôo do poderio americano), que complementa dezenas de polêmicas e obras políticas apresentadas por Ali desde a época em que era ativista estudantil radical na Grã-Bretanha dos anos 1960.

Ali disse que muitos na Grã-Bretanha o criticaram por fazer ficção, dizendo que esta detrai de seus escritos de não ficção.

"Não é uma contradição escrever ficção ou não-ficção", disse ele. "É a mesma pessoa escrevendo, mas de maneiras diferentes. Coisas diferentes saem das pessoas quando escrevem ficção, e coisas distintas são importantes quando se escreve história ou biografias."

CULTO À CELEBRIDADE

Ali disse que a administração Obama adotou abordagem diferente da de seus predecessores à guerra no Iraque, mas que seria engano imaginar que um único presidente possa efetuar mudanças radicais.

"Vivemos em um mundo muito obcecado por indivíduos e o culto às celebridades", disse Ali. "O erro está em pensar no presidente dos Estados Unidos como uma celebridade."

Ali comparou os presidentes norte-americanos a Césares, ou imperadores da Roma antiga.

"Sempre houve tipos diferentes de Césares. Houve um César como Calígula, que é Bush, ou como Augusto, que é Obama", disse.

"Mas a função de cada um é a mesma: preservar e proteger os interesses do império que governam."

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