20 de Julho de 2009 / às 15:49 / 8 anos atrás

Diretor de "Anticristo" aprova indignação com filme

<p>Diretor Lars Von Trier em uma coletiva de imprensa ao 62o Festival de Cannes. 18/05/2009.Vincent Kessler</p>

Por Mike Collett-White

LONDRES (Reuters) - Para o diretor dinamarquês Lars von Trier, o ultraje suscitado por "Anticristo" no Festival de Cannes, em maio, foi música para seus ouvidos.

Estrelado por Charlotte Gainsbourg e Willem Dafoe como casal que luta para superar a perda de seu filho pequeno, o terror psicológico suscitou gritos, gemidos, escárnio e alguns poucos aplausos quando foi exibido no festival.

As cenas explícitas de sexo, violência e automutilação sexual, sem falar em uma raposa que fala, fizeram de "Anticristo" um dos filmes mais comentados dos últimos anos em Cannes.

Numa coletiva de imprensa, pediu-se a Von Trier que justificasse seu filme, e as primeiras críticas consideraram o filme misógino, bombástico e propositalmente provocante.

Mas, de modo típico para um diretor que vem polarizando opiniões ao longo de toda sua carreira, nem todos o odiaram. O jornal The Telegraph deu escore máximo à história soturna sobre morte e ódio a si mesmo.

"Me sinto muito bem em relação a isso", disse Von Trier à Reuters, quando indagado sobre as reações negativas.

O filme chegará aos cinemas britânicos em 24 de julho. Será exibido sem cortes, com classificação de proibido para menores de 18 anos.

"Acho muito bom que as pessoas saiam do cinema com algum tipo de emoção", disse o cineasta.

Frequentemente descrito como o "enfant terrible" do cinema contemporâneo, Von Trier vem evitando ler as resenhas de "Anticristo", embora tenha sugerido que não é indiferente às opiniões das pessoas.

"Acho que o filme é como uma criança - precisa viver sua vida própria", disse ele.

SUCESSOS E FRACASSOS

Resta ver se a controvérsia suscitada por "Anticristo" vai favorecer suas perspectivas de bilheteria.

Lars von Trier é conhecido sobretudo por "Ondas do Destino" e o premiado em Cannes "Dançando no Escuro", enquanto "Dogville" e "Manderlay", filmados em sets sem elementos, também causaram polêmica.

Mas ele descreveu "Anticristo" como o filme mais importante de sua carreira, possivelmente porque foi sua maneira de enfrentar uma depressão prolongada.

O diretor repetiu a declaração que fez em Cannes: que não pensa no público quando faz seus filmes.

"Trabalho para mim mesmo como público, e, se gosto do trabalho, espero que sirva de alguma maneira para outras pessoas", disse Von Trier, que já se descreveu como "o melhor diretor de cinema do mundo".

Ele disse que não sabe qual será seu próximo filme, acrescentando: "Estou esperando para ouvir uma palavra de Deus, na realidade."

Apesar de ter se convertido ao catolicismo nos anos 1990, supostamente depois de sua mãe, em seu leito de morte, lhe dizer que a pessoa que ele pensava ser seu pai não o era, o cineasta disse que não tem fé.

"Eu diria que sou mau cristão, não sou crente. Foi essa a ideia à qual cheguei muito cedo na vida: de que a vida na terra, a natureza e o homem não podiam ser criações de um Deus misericordioso."

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