ESTREIA-"O Contador de Histórias" revê vida de ex-menino de rua

quinta-feira, 6 de agosto de 2009 13:33 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A desastrosa política do menor no Brasil desde os anos 70 é posta em foco neste filme de Luiz Villaça ("Por Trás do Pano", "Cristina Quer Casar"), fixando-se na impressionante biografia de Roberto Carlos Ramos, uma rara história de um ex-menor de rua com final feliz. O filme entra em circuito nacional.

Nascido nos anos 1970 em Belo Horizonte, Roberto era o caçula de uma família pobre com muitos filhos. Entregue à Febem (Fundação para o Bem-Estar do Menor) pela mãe, pessoa simples e ignorante que acreditava que ele teria um futuro melhor ali dentro, ele encarou o abandono e a violência, que no seu caso incluiu espancamentos, detenção em solitária e até estupro.

Analfabeto até os 13 anos, Roberto escapou deste quase sempre invencível círculo vicioso devido à intervenção de uma pedagoga francesa, Margherite Duvas (a atriz portuguesa Maria de Medeiros, de "O Xangô de Baker Street").

Graças a ela, estudou e conseguiu tornar-se, anos depois, um contador de histórias conhecido internacionalmente. Imitando a generosidade de sua protetora, ele mesmo adotou mais de 20 meninos - alguns que, como ele, já haviam sido tachados de "irrecuperáveis".

Os três garotos que interpretam o protagonista - Marco Antônio Ribeiro, Paulinho Mendes e Cleiton Santos - dividiram o troféu de melhor ator no Festival de Paulínia 2009, onde o filme também ganhou um Prêmio Especial do Júri.

Pontuada de incidentes trágicos mas também engraçados, a biografia de Ramos sofreu diversas adaptações neste roteiro, escrito por quatro profissionais - além do diretor Villaça, também José Roberto Torero, Maurício Arruda e Mariana Verissimo.

Condensa, por exemplo, num único personagem, a pedagoga Pérola (Malu Galli, da minissérie de TV "Queridos Amigos"), a figura de diversas outras educadoras que passaram pela vida do menino, no período em que entrava e saía da Febem.

Apesar disso, "O Contador de Histórias" incorpora também um elemento documental ao inserir a narração em off do próprio protagonista e em sua aparição, na sequência final.

Um traço que alivia a narrativa é materializar as fantasias do menino - que são muitas e extremamente imaginativas - com o uso de animação e de recursos como música e figurino. Isto acontece, por exemplo, numa cena de assalto a banco em que os ladrões se vestem no estilo do grupo Jackson Five, ao som da música "Sá Marina", na voz de Wilson Simonal, recuperando também o clima dos anos 70.   Continuação...