6 de Agosto de 2009 / às 17:09 / em 8 anos

Woodstock, 40 anos depois

<p>Foto de arquivo do 15o Festival Woodstock em Kostrzyn-upon-Odra River, na fronteira entre Pol&ocirc;nia e Alemanha. Quarenta anos depois, o festival original inspira filmes, livros e clipes para a TV. 01/08/2009. REUTERS/Pawel Kopczynski</p>

Por Steve James

NOVA YORK (Reuters) - Woodstock está vivo -- nos palcos, em filmes, em livros e clipes na TV, e para sempre na memória de quem foi jovem nos anos 60.

Quarenta anos depois do festival de três dias de duração que celebrou paz e amor em uma época de irritação e protestos pela Guerra do Vietnã, a nostalgia por Woodstock está num bom momento comercial.

É uma pequena ironia, considerando que o famoso festival se tornou “um concerto livre” depois de atrair centenas de milhares de pessoas a mais do que as 200.000 que os organizadores esperavam, com o ingresso a 18 dólares.

Sobreviventes de alguns dos atos promovidos entre 15 e 17 de agosto de 1969 vão novamente ocupar o palco no que era a Fazenda Yasgur, mas hoje é o Bethel Woods Center for the Arts, no norte do Estado de Nova York.

O show “Heróis de Woodstock”, no dia 15 de agosto, terá Levon Helm Band, Jefferson Starship, Ten Years After, Canned Heat, Big Brother e a Holding Company e Country Joe McDonald.

O filme “Woodstock” foi relançado no 40o aniversário de sua finalização pelo diretor, bem como a trilha sonora, em dois CDs, enquanto a Rhino Records colocou à venda uma caixa de 6 discos com todas as apresentações em Woodstock.

E no fim deste mês o cineasta Ang Lee vai lançar “Taking Woodstock”, um filme sobre um homem que trabalha no motel dos pais, que inadvertidamente dá a largada para o concerto.

Mas, para muitos, a história definitiva daquele verão de amor é “The Road to Woodstock” (A estrada para Woodstock), livro de Michael Lang, um dos organizadores do festival.

REALIZAÇÃO DE UM SONHO

“Havia essa impressão de que era um lindo campo e uma porção de gente apareceu e algumas bandas estavam na área e eles ergueram um palco e tocaram”, disse Lang à Reuters. “Na verdade, levou 10 meses para planejar.”

Ele e seus parceiros haviam planejado receber 200.000 pessoas no evento, e de fato buscaram a ajuda da Corporação de Engenheiros do Exército para parte da logística.

“Mas eles devem ter percebido o que estava acontecendo. Eles cancelaram uma reunião no Pentágono um dia antes, por isso fomos deixados por nossa conta”, disse Lang.

No momento em que a Guerra do Vietnã estava no auge e o movimento contra o conflito dividia os Estados Unidos, principalmente separando as gerações, é talvez pouco surpreendente que os militares não quisessem se envolver com o que estava sendo visto como um festival hippie.

Por isso Lang e seus parceiros foram deixados à vontade para realizar um show que apresentava 32 dos maiores sucessos musicais da época.

“Woodstock foi a realização de um sonho”, disse Lang sobre um evento conhecido tanto pelo lamaçal, drogas e longos quilômetros de congestionamentos como pela música.

“Mas não foi frustrante. Gostei de resolver problemas. Na época era excitante, não havia um plano e nós íamos resolvendo conforme as coisas aconteciam”, afirmou.

“Havia uma porção de semelhanças com o que está acontecendo agora no mundo. Foi a época do primeiro movimento no planeta, o movimento ecológico, que foi muito importante para nossa geração”, acrescentou.

Aquele verão 40 anos atrás também foi notável porque o homem caminhou na Lua pela primeira vez e os EUA ficaram horrorizados com Chappaquiddick, o acidente envolvendo o carro dirigido pelo senador Edward Kennedy, que resultou na morte de uma jovem que estava com ele, e os assassinatos de Charles Manson.

Havia também a questão da guerra --, na época, era o Vietnã, hoje o Iraque. “Depois de oito anos de governo Bush, pude ver que estávamos novamente em um momento muito obscuro”, disse Lang.

“E depois a posse de Obama foi apresentada no New York Times e outros jornais como um ‘momento Woodstock’.”

Lang, produtor musical e promotor de eventos, também organizou concertos no 25o e 30o aniversários de Woodstock, com a presença de artistas mais contemporâneos. Mas de Richie Havens, que abriu o Woodstock original, a Jimi Hendrix, que o encerrou, é dos músicos que ele mais se recorda.

“Houve três surpresas -- Joe Cocker, desconhecido na época; Carlos Santana -- você sabia que um superstar estava nascendo. E Sly Stone. Fiquei num canto do palco e vi todos eles”, disse Lang.

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