China lamenta decisão da OMC sobre audiovisual e pode recorrer

quinta-feira, 13 de agosto de 2009 09:34 BRT
 

Por Chris Buckley

PEQUIM (Reuters) - A China disse nesta quinta-feira que pode recorrer de uma sentença da Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as restrições de Pequim à importação de filmes e livros, em mais um capítulo de seus atritos com Washington por causa de acessos a mercados.

O ministério chinês do Comércio disse "lamentar" que a OMC tenha acatado a queixa dos EUA contra o monopólio chinês da importação de produtos culturais, o que segundo Washington prejudica suas editoras, as produtoras de Hollywood e as multinacionais do entretenimento.

"A China irá conscienciosamente avaliar a decisão do painel de especialistas, e não exclui a possibilidade de recorrer com relação aos pontos de preocupação para a China", disse nota do ministério.

"Os canais para a entrada de publicações, filmes e produtos audiovisuais estrangeiros na China são extremamente abertos", acrescentou a nota.

O regime comunista mantém um enorme aparato de propaganda e censura que controla a TV, o setor editorial, o entretenimento e a Internet. Embora os meios de comunicação do país estejam cada vez mais comerciais, o Estado mantém um domínio cauteloso, ainda que oscilante.

O painel de arbitragem da OMC disse que a China não poderia usar suas metas de censura para justificar barreiras comerciais que violem as regras da OMC e os termos da adesão chinesa ao órgão, em 2001, segundo autoridades dos EUA.

Mesmo que a decisão seja mantida, Pequim não deve atenuar seus controles, temendo que isso prejudique os controles do Partido Comunista sobre a cultura, segundo David Wolf, consultor radicado em Pequim que assessora empresas de comunicação.

"Aqui há uma considerável margem de manobra para abrir ostensivamente o mercado, mas mantendo restrições", afirmou.   Continuação...