ESTREIA-Em "Brüno", Baron Cohen tira piadas do preconceito

quinta-feira, 13 de agosto de 2009 11:46 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Se Borat foi considerado engraçado, transgressor, nojento ou abusivo, era porque ninguém conhecia ainda Brüno, personagem também criado por Sacha Baron Cohen, que chega aos cinemas no filme homônimo, na sexta-feira.

O protagonista é um homossexual austríaco, apresentador de um programa de televisão especializado em moda, obcecado por celebridades e fama.

A sua demissão, por conta de alguns incidentes, serve de desculpa para Brüno sair em busca do mundo e conquistá-lo. Dos Estados Unidos ao Oriente Médio, com uma rápida parada na África, o personagem leva por onde passa o humor sem limites -- muitas vezes hilário, outras, grosseiro -- do criador de Borat.

Em 2006, com "Borat - O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América", Baron Cohen elevou o patamar do politicamente incorreto e do ofensivo com seu repórter cazaque numa cruzada pelos Estados Unidos a fim de compreender e desvendar o American way of life.

"Brüno" não é muito diferente, mas, em alguns momentos, o ator parece ter perdido completamente o limite. O personagem quer ser "o maior superstar austríaco desde Hitler".

Dirigido por Larry Charles, o mesmo de "Borat", a comédia é precisa ao criticar o culto às celebridades instantâneas -- um fenômeno que atingiu proporções assustadoras nos últimos tempos. Aqui, novamente, boa parte da graça vem de pessoas que não são atores reagindo às provocações de Brüno -- todas feitas num tom muito sério, como se fosse real.

Na fashion week da Áustria, antes de ser demitido, o personagem entrevista uma modelo e pergunta sobre as dificuldades da profissão -- entre as quais, a de colocar o pé direito na frente do esquerdo, e vice-versa, ou seja, o simples ato de andar. A moça seriamente concorda que, realmente, é muito difícil.

Vivemos num mundo fútil que cultua o superficial e, ciente disso, Baron Cohen não poupa ninguém. Em sua escalada rumo à fama, Brüno lança um programa de entrevista e convida a cantora Paula Abdul para falar sobre seus trabalhos humanitários e como eles são vitais para ela -- tudo isso enquanto está sentada nas costas de um mexicano que lhe serve de cadeira.

La Toya Jackson também estava no talkshow, mas, após a morte de Michael Jackson, sua cena foi cortada. Em outros momentos, o rapaz tenta estabelecer a paz entre israelenses e palestinos, que culmina num canto, cujo refrão é algo como Brüno, a pomba da paz.   Continuação...

 
<p>Ator brit&acirc;nico Sacha Baron Cohen na estreia australiana de seu novo filme "Bruno" em Sydney. 29/06/2009. REUTERS/Daniel Munoz</p>