ONG denuncia falta de preservativos em filmes pornôs nos EUA

sexta-feira, 21 de agosto de 2009 10:26 BRT
 

Por Steve Gorman

LOS ANGELES (Reuters) - Um grupo de combate à Aids apresentou a autoridades dos EUA queixas contra 16 estúdios de filmes pornográficos da Califórnia, acusando-os de violar regras de segurança trabalhista ao não exigir que os atores usem preservativos.

Um lote de 60 DVDs foi incorporado ao processo como prova, e uma ex-atriz se juntou à ação, com uma queixa individual contra três outras produtoras. O objetivo da medida é que a Divisão de Segurança e Saúde Ocupacionais da Califórnia (Cal-OSHA) abra um inquérito sobre o assunto.

A agência imediatamente prometeu investigar as queixas. "Levamos isso a sério, e será tratado", disse o porta-voz Dean Fryer, na quinta-feira.

A entidade Aids Healthcare Foundation, de Los Angeles, vem realizando vários esforços para proteger a saúde de atores e atrizes da indústria pornográfica, um setor que movimenta 12 bilhões de dólares por ano nos EUA e concentra grande parte das suas atividades no vale de San Fernando, um subúrbio de Los Angeles.

No mês passado, a entidade moveu uma ação judicial contra o Condado de Los Angeles, acusando as autoridades sanitárias de não fiscalizarem leis destinadas a conter a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis na indústria da pornografia.

O processo foi aberto depois da revelação de que uma atriz pornô havia tido um teste positivo para o vírus HIV, em junho, levando as autoridades a divulgarem 16 outros casos até então desconhecidos do público, todos eles registrados desde um surto de 2004, que levou a novas regras sobre testes e notificações no setor.

As novas queixas alegam que os filmes comprovam que os atores não usam preservativos, violando regulamentos estaduais que exigem a proteção de trabalhadores contra agentes patogênicos na troca de fluidos corporais.

Dados oficiais indicam que mais de 2.800 casos de doenças sexualmente transmissíveis foram diagnosticados entre 1.884 atores e atrizes pornôs no Condado de Los Angeles entre abril de 2004 e março de 2008. Muitas dessas pessoas sofreram múltiplas infecções.

Executivos do setor alegam que as produtoras conseguem se policiar com diretrizes voluntárias, como a exigência de testes mensais e quarentenas de atores infectados.

"Se o Condado de Los Angeles escolher impor o uso obrigatório de preservativos, o que veremos é a produção adulta deixando a Califórnia," disse o fundador da produtora Vivid Entertainment ao jornal Los Angeles Times.