Concerto na Polônia marca aniversário da 2a Guerra Mundial

terça-feira, 1 de setembro de 2009 16:18 BRT
 

Por Michael Roddy

CRACÓVIA (Reuters) - Músicos de 40 países se reuniram na terça-feira no coração da Polônia, região ocupada pelos nazistas na 2a Guerra Mundial, para lembrar o início do conflito com um concerto que visa convencer as pessoas de que fazer música é melhor que fazer guerra.

"Uma pessoa que planeja um atentado suicida não prestará atenção a nosso concerto, é claro," disse o regente russo Valery Gergiev, que regeu a Orquestra Mundial pela Paz ao mesmo tempo em que o primeiro-ministro russo Vladimir Putin participava de uma cerimônia memorial na cidade portuária polonesa de Gdansk.

"Mas as pessoas que ouvem música de valor talvez prestem alguma atenção. De 100 potenciais homens-bomba, talvez dez comecem a pensar (...) que outras coisas são importantes na vida, além de matar uns aos outros. Isso já será fruto do poder da música," disse Gergiev, amigo íntimo de Putin, em coletiva de imprensa na segunda-feira.

O concerto, que ocorre na Igreja de São Pedro e São Paulo, ao lado da praça principal de Cracóvia --centro intelectual e artístico polonês que sediou a administração nazista--, será transmitido ao vivo pela televisão polonesa e na Internet (www.cnn.com).

Fundada em 1995 pelo falecido regente húngaro judeu Sir Georg Solti, a Orquestra Mundial pela Paz reúne cerca de 90 dos melhores instrumentistas de todas as partes do mundo, vindos de algumas das melhores orquestras do planeta.

Entre eles estão o violinista jordaniano Nabih Bulos, que toca com a Orquestra Divã Ocidente-Oriental, de Daniel Barenboim, e o violista israelense Doron Alperin, cujo avô polonês sobreviveu a um campo nazista na Polônia e estava viajando a Cracóvia para ouvir seu neto tocar ao vivo em um concerto, pela primeira vez.

A igreja tem espaço para 600 pessoas, mas a apresentação da 5a Sinfonia de Mahler e da première mundial de "Prelúdio à Paz," do compositor Krzysztof Penderecki --natural de Cracóvia-- poderão ser ouvidas e vistas por milhões de pessoas na televisão e no rádio da Polônia e online no site da CNN.

Penderecki, 76 anos, disse que seu prelúdio, composto para metais e percussão, é uma destilação de suas memórias de infância da invasão nazista e do subsequente governo comunista na Polônia, que chegou ao fim em 1989.

"Tivemos 45 anos de trevas --primeiro os alemães, depois os russos--, e agora sentimos a libertação," disse o compositor à Reuters após o ensaio.

 
<p>O regente russo Valery Gergiev REUTERS/Helen Atkinson (Newscom TagID: rtrphotos924151)</p>