ESTREIA-Animação "Up-Altas Aventuras" promete mais do que cumpre

quinta-feira, 3 de setembro de 2009 13:16 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Em suas primeiras imagens, a animação "Up - Altas Aventuras", que estreia nesta sexta-feira, é bastante promissora. Os 15 minutos iniciais são tão belos quanto criativos e cinematográficos.

Um garotinho vai ao cinema para assistir a um cinejornal sobre seu explorador preferido, Charles Muntz. Porém, quando este não consegue provar a existência de um pássaro raro, ele cai no ostracismo e some da mídia. O menininho, Carl Fredricksen, não se deixa abater. Conhece uma garota com os mesmo sonhos que ele, se apaixonam, se casam e vivem juntos por décadas - até a morte dela.

Em cinco minutos, o filme é capaz de comprimir com maestria meio século da vida dos dois personagens. A montagem, sem qualquer diálogo, conta apenas a história por meio de imagens de forma hipnótica e com ritmo preciso. Por isso, é uma pena que quando o prólogo acaba e o filme realmente começa, os diretores e roteiristas Peter Docter ("Monstros S.A.") e Bob Peterson (roteiro de "Ratatouille") mandam a criatividade e ousadia para a estratosfera e desenvolvem uma história burocrática com um vilão desnecessário e que não convence.

Carl cresce e se torna um velho rabugento e solitário cuja casa é um empecilho para os planos imobiliários de uma construtora, interessada em construir prédios no mesmo quarteirão. Quando finalmente parece que vai ceder e ir para um asilo, ele prende milhares de balões coloridos à chaminé de sua lareira e levanta vôo.

Quando está nas alturas, descobre que tem um passageiro non grato. Trata-se do pequeno gorducho Russel, um garoto hiperativo que precisa ajudar um idoso para ganhar um distintivo de Explorador da Vida Selvagem Sênior.

Como não há outra saída, Carl tem de levar o garoto com ele pois, afinal, já estão voando. Uma série de incidentes os leva até o objeto do velhote: pousar sua casa numa região paradisíaca da América do Sul, que ele e sua mulher sonhavam conhecer.

Docter e Peterson não têm limite de imaginação para o visual, criam uma floresta, cachoeiras e animais, como um pássaro raro de um colorido de encher a tela. No entanto, no campo da narrativa, eles estão presos às convenções preestabelecidas do padrão Disney, mesmo sendo uma produção da Pixar, que fez filmes como "Procurando Nemo" e "Os Incríveis".

Primeiro: é necessário ter um vilão. Não importa como, não importa quem, mas num dado momento é preciso que um vilão surja na tela para ser um obstáculo ao herói. Aqui, eles resgatam Charles Muntz, que ficou perdido lá no primeiro rolo de filme.

Esse talvez seja o maior problema de "Up - Altas Aventuras": o personagem e seu desenvolvimento soam tão fora de contexto que não fazem muito sentido. Ele é apenas uma necessidade burocrática para manter a história em movimento.   Continuação...

 
<p>O produtor executivo da Pixar, John Lasseter, posa com personagens do filme Up, em Hollywood.Em suas primeiras imagens, a anima&ccedil;&atilde;o "Up - Altas Aventuras", que estreia nesta sexta-feira, &eacute; bastante promissora. Os 15 minutos iniciais s&atilde;o t&atilde;o belos quanto criativos e cinematogr&aacute;ficos.16/05/2009.REUTERS/Fred Prouser</p>