3 de Setembro de 2009 / às 14:05 / 8 anos atrás

ESTREIA-Excessos atrapalham em "O Sequestro do Metrô 123"

<p>O ator John Travolta durante filmagem de "O Sequestro do Metr&ocirc; 123", em Nova York. H&aacute; alguns momentos no suspense "O Sequestro do Metr&ocirc; 123", que estreia no pa&iacute;s na sexta-feira, que comprovam estarmos diante de um filme de Tony Scott.06/05/2008.REUTERS/Brendan McDermid</p>

SÃO PAULO (Reuters) - Há alguns momentos no suspense “O Sequestro do Metrô 123”, que estreia no país na sexta-feira, que comprovam estarmos diante de um filme de Tony Scott. É quando a câmera gira.

Num filme de Tony Scott, a câmera gira de todas as formas possíveis e imagináveis e, a cada novo trabalho, o diretor parece aumentar a lista de possibilidades para esse efeito. O problema é que há muito tempo esse tipo de artifício deixou de ser eficiente e passou a ser irritante.

Irmão mais novo de Ridley Scott, Tony chamou a atenção nos anos 1980 com “Fome de Viver”, mas ficou famoso mesmo em meados daquela década com “Top Gang - Ases Indomáveis”. Desde então, sua carreira andou na corda bamba dos filmes medíocres com cara de videoclipe.

É o caso de “O Sequestro do Metrô”. Trabalhando com um roteiro de Brian Helgeland (“Sobre Meninos e Lobos”), a partir de um romance de John Godey já filmado duas vezes - - em 1974, por Joseph Sargent e, em 1988, numa produção para a TV por Félix Enríquez Alcalá -- o diretor encontra uma desculpa para todos os seus tiques visuais de comercial de televisão.

Como o título já entrega, o filme é sobre o sequestro de um trem do metrô de Nova York. John Travolta (o eterno Tony Manero) é o vilão, Denzel Washington (“O Gângster”), mais uma vez é o sujeito comum que salva o dia bancando o herói. A trama, por si, não tem nada de novo, mas poderia manter a tensão não fossem os exageros visuais de Scott.

Walter Garber (Washington) é um controlador de tráfego do metrô que atende a ligação do sequestrador Ryder (Travolta), que tomou um vagão com passageiros e, em uma hora, começará a matar um por minuto se o seu pedido de resgate não for atendido. É uma corrida contra o tempo -- e Scott parece levar isso a sério demais com sua câmera giratória e planos que duram um piscar de olhos.

Em meio a esse caos visual de fotografia estourada, cores saturadas, cortes rápidos e câmera frenética existe uma questão moral soterrada. O personagem de Washington é investigado por suborno e o de Travolta tem um passado que vai se revelando pouco idôneo também.

James Gandolfini (Tony Soprano) é o prefeito de uma Nova York pós-11 de Setembro, pós-Giuliani, na qual o dinheiro, mais do que nunca, manda e desmanda nos homens. Alguns aceitam as ordens por motivos nobres, outros, por pura ganância. Seria um comentário ácido -- embora pouco original -- não fosse o desvario ao qual “O Sequestro do Metrô 123” se entrega antes mesmo de acabar a sequência de créditos iniciais.

As cenas de ação, especialmente aquelas que acontecem na superfície da cidade (e não no vagão sequestrado) são absurdamente exageradas e parecem planejadas apenas para aplacar a fome de Scott pelo caos.

Fosse feito alguns anos atrás, ainda no calor do 11 de Setembro, talvez “O Sequestro do Metro 123” fosse mais palatável -- ao menos para os nova-iorquinos. Agora, quase uma década depois do ataque terrorista, o filme se perde e fica girando em falso, como a câmera de seu diretor.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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