Mudança na caligrafia de caracteres gera reações fortes na China

quinta-feira, 3 de setembro de 2009 14:04 BRT
 

Por Huang Yan e Ben Blanchard

PEQUIM, 3 de setembro (Reuters Life!) - A proposta do governo para modificar a escrita de algumas dezenas de caracteres chineses provocou reações inesperadas de repúdio por parte do público, que acusa o Ministério da Educação de mexer desnecessariamente com a tradição.

O ministério vem buscando uma resposta do público desde que, no mês passado, divulgou modificações "pequenas" em 44 caracteres a serem incluídas em uma cartilha para usos educacionais e do setor de publicação.

As alterações feitas a palavras comuns, como "chá," "parente" e "matar," envolvem pouco mais que a retirada de floreios no final de pinceladas, para criar linhas mais limpas.

Estão muito longe da simplificação generalizada da escrita notoriamente complicada, introduzida progressivamente pelos comunistas pouco depois de chegarem ao poder, em 1949.

Mas mais de 90 por cento das pessoas entrevistadas numa pesquisa online no portal sina.com.cn disseram que discordam de qualquer "plano de inovação" de sua língua mãe, tachando-o de ataque à cultura da China e desperdício de recursos.

A agência de notícias semi-oficial China News Service disse que 30 escritores destacados também pediram a suspensão das modificações, dizendo que elas "artificialmente criariam o caos na língua."

O Ministério da Educação admite que a proposta não vem sendo bem recebida. Mas defendeu as mudanças, dizendo que a língua precisa avançar com os tempos, e destacou que vai "respeitar a estrutura dos caracteres chineses."

Não é a primeira vez que reformas linguísticas causam angústia.

Já foram aventados no passado planos para eliminar totalmente os caracteres chineses e substituí-los pelo alfabeto romano, mas eles foram rejeitados, considerados não funcionais ou um ataque demasiado brutal à história do país.

Taiwan e boa parte do mundo chinês fora da China se aferram ao uso dos caracteres tradicionais, mais complexos. A ilha diz que é o último reduto de proteção de uma língua escrita cuja história data de muitos séculos.