September 4, 2009 / 10:08 PM / 8 years ago

Morre aos 80 anos o autor de "Billy Liar" Keith Waterhouse

4 Min, DE LEITURA

Por Peter Griffiths

LONDRES (Reuters) - O escritor britânico Keith Waterhouse, cujo romance mais conhecido "Billy Liar" lançou luz sobre a vida empobrecida e monótona na Inglaterra do pós-guerra, morreu aos 80 anos nesta sexta-feira em sua casa em Londres, informou sua família.

Waterhouse inspirou-se em suas origens humildes no norte industrial da Inglaterra para criar sua história duradoura sobre um funcionário entediado de uma funerária que sonha em escapar de sua vidinha maçante e encontrar o glamour da cidade grande.

O misto de realismo social intransigente e fantasia cômica do livro garantiu seu sucesso junto a um público sedento por obras da "nova onda", que deram voz à classe operária britânica jovem e insatisfeita.

Waterhouse disse que quis retratar o mundo perdido dos anos 1950, onde tudo fechava cedo e adolescentes "sedentos de sexo" buscavam diversão em alguns poucos cinemas e danceterias.

Waterhouse disse a um entrevistador do "New York Times": "Billy está em cada molécula de meu corpo. Todo o mundo tem um dom só seu, e o meu, imagino, é o fato de sentir diretamente. É sentimento direto e sincero. É por isso que as pessoas ainda se identificam com Billy."

Depois de vender bem em versão de capa mole, o livro foi adaptado para o cinema pelo diretor John Schlesinger, com Tom Courtenay no papel-título ("O Mundo Fabuloso de Billy Liar").

Em uma carreira que abrangeu quase 60 anos, Waterhouse também escreveu roteiros de filmes britânicos famosos como "Whistle Down the Wind" ("O Vento Também Tem Segredos") e registrou o cotidiano do jornalismo britânico, movido a álcool, na popular peça de teatro "Jeffrey Bernard is Unwell."

Rua Dos Jornais

O mais jovem de cinco irmãos, Waterhouse nasceu na cidade de Leeds em 1929. Depois de deixar a escola aos 14 anos sem nenhuma qualificação, trabalhou como entregador de jornais e limpador de vidros.

Depois de servir na Real Força Aérea, chegou à Fleet Street, em Londres, a infame "Rua da Vergonha", movida pelo álcool, que durante décadas abrigou as sedes dos jornais nacionais britânicos.

Waterhouse contou a entrevistadores, anos depois, que os dias na redação frequentemente eram passados jogando jogos de tabuleiro e dando saídas até o bar local, antes de datilografar suas matérias em uma máquina de escrever antiga.

"A gente ia ao El Vino (bar) e voltava com material suficiente para escrever um livro", contou.

No livro de referência "Quem é Quem", Waterhouse resumiu suas atividades recreativas em apenas uma palavra: "almoçar."

Ele foi correspondente nos Estados Unidos e na Rússia e depois escreveu milhares de colunas em tom franco para os tablóides Daily Mirror e Daily Mail.

Duas vezes casado e duas vezes divorciado, ele sofria de uma doença não especificada e estava sendo cuidado por sua segunda ex-mulher, Stella Bingham, segundo o Mail, o último jornal para o qual trabalhou.

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