Morre aos 80 anos o autor de "Billy Liar" Keith Waterhouse

sexta-feira, 4 de setembro de 2009 19:03 BRT
 

Por Peter Griffiths

LONDRES (Reuters) - O escritor britânico Keith Waterhouse, cujo romance mais conhecido "Billy Liar" lançou luz sobre a vida empobrecida e monótona na Inglaterra do pós-guerra, morreu aos 80 anos nesta sexta-feira em sua casa em Londres, informou sua família.

Waterhouse inspirou-se em suas origens humildes no norte industrial da Inglaterra para criar sua história duradoura sobre um funcionário entediado de uma funerária que sonha em escapar de sua vidinha maçante e encontrar o glamour da cidade grande.

O misto de realismo social intransigente e fantasia cômica do livro garantiu seu sucesso junto a um público sedento por obras da "nova onda", que deram voz à classe operária britânica jovem e insatisfeita.

Waterhouse disse que quis retratar o mundo perdido dos anos 1950, onde tudo fechava cedo e adolescentes "sedentos de sexo" buscavam diversão em alguns poucos cinemas e danceterias.

Waterhouse disse a um entrevistador do "New York Times": "Billy está em cada molécula de meu corpo. Todo o mundo tem um dom só seu, e o meu, imagino, é o fato de sentir diretamente. É sentimento direto e sincero. É por isso que as pessoas ainda se identificam com Billy."

Depois de vender bem em versão de capa mole, o livro foi adaptado para o cinema pelo diretor John Schlesinger, com Tom Courtenay no papel-título ("O Mundo Fabuloso de Billy Liar").

Em uma carreira que abrangeu quase 60 anos, Waterhouse também escreveu roteiros de filmes britânicos famosos como "Whistle Down the Wind" ("O Vento Também Tem Segredos") e registrou o cotidiano do jornalismo britânico, movido a álcool, na popular peça de teatro "Jeffrey Bernard is Unwell."

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