Da prisão, líder do Sendero Luminoso lança livro polêmico

quarta-feira, 16 de setembro de 2009 17:31 BRT
 

Por Terry Wade e Patricia Vélez

LIMA (Reuters) - O líder da guerrilha maoísta peruana Sendero Luminoso, Abimael Guzmán, reabriu as feridas em torno de um conflito que deixou 69 mil mortos, ao lançar um livro que foi retirado clandestinamente da sua cela, o que gerou constrangimentos para o governo de Alan García.

Na obra "De Puño y Letra", Guzmán, de 74 anos, defende a rebelião antigoverno que ele liderou entre 1980 e 92, quando foi preso. Também pede anistia para guerrilheiros e soldados e defende que seus seguidores participem de eleições.

O incendiário manuscrito foi retirado da prisão por advogados dele, sob o nariz dos guardas, e entregue a uma editora de esquerda, que o lançou no fim de semana.

García, que tenta dominar os remanescentes da guerrilha, envolvidos no tráfico de cocaína, quer proibir a venda do livro e processar os advogados sob a acusação de promover o terrorismo.

O ministro da Justiça, Aurélio Pastor, disse na terça-feira a parlamentares que "o livro é uma exaltação do movimento terrorista (que) apoia o genocídio violento."

Os advogados de Guzmán alegam que a guerrilha era um movimento legítimo, e dizem que ele deveria receber um indulto na sua pena de prisão perpétua, já que vários ex-militares responsáveis por massacres de supostos militantes de esquerda jamais foram julgados.

"Quero que ele seja libertado e exijo que seja libertado. Ele pagou e não pode ser condenado a morrer na prisão", disse o advogado Alfredo Crespo.

O governo rejeita os pedidos de anistia para o líder maoísta, e a opinião pública é majoritariamente contrária à guerrilha.   Continuação...

 
<p>O livro "De Pu&ntilde;o y Letra", do l&iacute;der da guerrilha mao&iacute;sta peruana Sendero Luminoso, Abimael Guzm&aacute;n (em foto de arquivo), foi retirado da pris&atilde;o clandestinamente. REUTERS/Mariana Bazo/Files</p>