Eleição na Unesco assiste a polêmica sobre candidato egípcio

quinta-feira, 17 de setembro de 2009 12:35 BRT
 

Por Sophie Hardach

PARIS (Reuters) - Uma tempestade política com acusações de antissemitismo e de censura agitava a eleição do novo diretor-geral da Unesco nesta quinta-feira. A polêmica centrava-se em declarações passadas de um dos candidatos de que queimaria livros israelenses.

A candidatura do ministro egípcio da Cultura, Farouk Hosni, para a agência de cultura da Organização das Nações Unidas (ONU) causou a ira de intelectuais franceses e organizações judaicas, que receberam o apoio de ativistas pela liberdade de imprensa antes da primeira rodada de votações, nesta quinta.

Hosni já pediu desculpas neste ano pelos comentários realizados no ano passado, e alguns ativistas proeminentes como o caçador de nazistas Serge Klarsferd afirmaram ter aceitado as desculpas.

Mas outros ativistas acusam Hosni de favorecer a censura e violar a liberdade de imprensa no Egito, e pressionam membros da Unesco a não votar nele.

"Vamos queimar esse livros; se houver algum, eu mesmo vou queimá-lo diante de vocês", disse Hosni a um membro do Parlamento que o perguntou sobre a presença de livros israelenses em bibliotecas egípcias no ano passado.

"Hosni é ministro da Cultura de um país que não respeita a liberdade de expressão, especialmente a liberdade de expressão na Internet", disse à Reuters Jean-François Julliard, secretário-geral da organização Repórteres Sem Fronteiras.

A França tem apoiado o Egito, mas outros países europeus como a Alemanha evitaram tomar partido. Fontes diplomáticas afirmam que a polêmica pode levá-las a votar na candidata austríaca, Benita Ferrero-Waldner.

Avalia-se que os Estados Unidos trabalham nos bastidores para evitar a vitória de Hosni.

 
<p>Candidatura do ministro eg&iacute;pcio da Cultura, Farouk Hosni, para a ag&ecirc;ncia de cultura da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) causou a ira de intelectuais franceses e organiza&ccedil;&otilde;es judaicas, que receberam o apoio de ativistas pela liberdade de imprensa antes da primeira rodada de vota&ccedil;&otilde;es. REUTERS/John Schults</p>