ESTREIA-"A Verdade Nua e Crua" tenta fazer humor com machismo

quinta-feira, 17 de setembro de 2009 13:28 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Comédias românticas parecem existir desde quando o mundo é mundo, por isso andam tão desgastadas e previsíveis. "A Verdade Nua e Crua", que estreia em todo o Brasil na sexta-feira, pode não ser o fundo do poço, mas é mais um prego colocado no caixão do gênero que parece dar seus últimos suspiros.

Estão longe os tempos em que comédia romântica combinava charme com sagacidade. As décadas de 1930 e 1940, com filmes como "Levada da Breca" e "Jejum de Amor", apontavam um futuro feliz para o gênero que, nos anos de 1980 e 1990, ainda parecia saudável. Hollywood fazia filmes como "Harry e Sally - Feitos um Para o Outro".

A primeira década do século 21 se aproxima do fim e o que o cinema tem a oferecer, combinando humor e romance, atende por nomes como "A Proposta", "Vestida Para Casar" e "A Verdade Nua e Crua".

Todos são uma espécie de plágio requentado da fórmula de sempre. Os personagens são Ela e Ele. Muito diferentes, brigam feito cão e gato no primeiro ato do filme. Depois de uma trégua, percebem que podem ficar bem juntos. No final, um dos dois acaba voltando para o (a) ex, mas percebe que o grande amor de sua vida é aquela pessoa cujo nome vem junto do dela nos créditos do filme.

Em "A Verdade Nua e Crua", Ela é interpretada por Katherine Heigl (forte candidata ao posto da atual rainha das comédias românticas) e atende pelo nome de Abby. Produtora de televisão, trabalha demais e não tem nem tempo para encontrar um novo namorado. Essa função cabe à sua assistente (Bree Turner) que não apenas arma os encontros como dá dicas de como ela deve se comportar.

Ele é interpretado pelo escocês Gerard Butler ("300"), um sujeito boca suja e misógino que ganha a vida dando conselhos num programa de televisão de madrugada. Claro que a vida dos dois personagens vai se cruzar e eles vão brigar muito para depois perceberem que o filme será muito previsível.

Ele é contratado para trabalhar no programa que ela produz -- um talkshow apresentado por um casal cinquentão, que dá conselhos sentimentais, culinários ou o que mais for preciso para subir a audiência.

Mike -- esse é o nome do sujeito -- bate de frente com Abby e logo é capaz de desvendá-la: solteira, sexualmente frustrada e a espera de um príncipe encantado, que existe e mora na casa ao lado. O acordo entre os dois inimigos é simples: Mike ajuda Abby a conquistar o rapaz e ela, em troca, o ajuda no programa de televisão, porque juntos podem elevar a audiência à estratosfera.

Curioso como, para Hollywood, uma mulher jamais é considerada bem sucedida se não tiver um homem ao seu lado. A satisfação profissional de nada vale se não existir um príncipe em sua cama para chamar de seu, mesmo que para isso ela precise adotar um comportamento grosseiro, vulgar e machista -- afinal, quem tem o poder é o homem.   Continuação...

 
<p>Katherine Heigl estrela a anti-com&eacute;dia rom&acirc;ntica "A Verdade Nua e Crua" REUTERS/Luke MacGregor (BRITAIN ENTERTAINMENT)</p>