Espírito teen anima "Youth in Revolt"

quinta-feira, 17 de setembro de 2009 13:41 BRT
 

Por Sheri Linden

LOS ANGELES (Hollywood Reporter) - A colisão entre hormônios adolescentes e insensatez de pais, que não chega a ser território novo para o cinema, ganha um viés absurdista em "Youth in Revolt."

O romance de 1993 de C.D. Payne foi transposto para a tela com seu humor e energia quase intactos e uma atuação principal totalmente convincente de Michael Cera.

O diretor Miguel Arteta ("Chuck & Buck", "Por Um Sentido na Vida") infundiu ímpeto e ultraje à história picaresca. O roteiro de Gustin Nash condensa 500 páginas de narrativa repleta de incidentes, descartando personagens e subtramas e mantendo o tom descolado. O filme faz o personagem principal ter 16 anos em lugar de 14 e modera seu estado de excitação sexual permanente.

Com atores de talento para representar os adultos idiotas que atormentam Nick (Cera), é uma pena que eles não ganhem mais tempo na tela.

Nos papéis dos pais divorciados de Nick (e, para a aflição constante dele, sexualmente ativos), Jean Smart e Steve Buscemi transmitem tolice e hipocrisia ao extremo, com a decepção de terem chegado à meia idade pouco abaixo da superfície dissonante. Com seus cabelos loiros tingidos e tops de frente única, Smart tem mais a fazer no filme e o faz bem, especialmente em suas cenas de amassos com seus namorados ridículos (Zach Galifianakis e Ray Liotta).

Graças ao namorado ridículo número 1, Jerry (Galifianakis), Nick vai passar férias num acampamento de trailers cristãos. É onde ele conhece Sheeni, uma Lolita de muita leitura e a garota de seus sonhos virginais, à qual ele se apressa a garantir que Jerry não é seu pai, mas o "acompanhante" de sua mãe.

Tanto Nick quanto Sheeni têm vocabulários extensos e desprezam a mediocridade. Ele adora Sinatra, ela adora Belmondo e tudo o que é francês, e Nick não demora a convencer a beldade a terminar seu relacionamento com o convencido ao extremo Trent (Jonathan Bradford Wright). Mas, para que eles possam ficar juntos, Nick precisa fazer seu pai se mudar para Ukiah, onde Sheeni vive, e levar sua mãe a expulsá-lo para a nova casa de seu pai.

Para isso, Nick cria todo um rastro de destruição, começando com um incêndio em Berkeley, Califórnia. Considerando que um Chevy Nova, completo com mensagem ameaçadora pintada com spray, ocupa a sala de jantar de sua mãe, as atrocidades de Nick, tanto as intencionais quanto outras, parecem quase razoáveis.

O filme perde um pouco do ímpeto em suas partes posteriores, que envolvem o espaçoso irmão de Sheeni (Justin Long). Nos papéis de seus pais, Mary Kay Place e M. Emmet Walsh estão ali praticamente apenas por suas presenças consideráveis em cena, e o ótimo Fred Willard representa o único adulto generoso da história, se bem que muitas vezes não saiba o que está fazendo. Num papel drasticamente reduzido em relação ao livro, Erik Knudsen ("Jericho") faz o melhor amigo de Nick, Lefty, com intensidade cômica e também séria.

Mas o filme é dominado pelo sempre convincente Michael Cera, que foi o único interesse pelo qual se pôde torcer de fato em "Juno". Fazendo o falso ingênuo Nick e o bigodudo François Dillinger, a "persona suplementar" à qual recorre para ajudá-lo a semear confusão, Cera traz uma fantástica dose dupla de romantismo e cinismo. Quando ele diz a Sheeni "estive sozinho minha vida inteira", o impacto emocional é inegável.

 
<p>O ator Michael Cera brilha no filme "Youth in Revolt" REUTERS/Danny Moloshok (UNITED STATES) (</p>