30 de Setembro de 2009 / às 23:42 / 8 anos atrás

Unesco declara o tango patrimônio de Argentina e Uruguai

MONTEVIDÉU (Reuters) - A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) incluiu nesta quarta-feira o tango da Argentina e do Uruguai na Lista Representativa do Patrimônio Imaterial da Humanidade.

"A tradição argentina e uruguaia do tango, hoje conhecida no mundo inteiro, nasceu no vale do Rio da Prata, entre as classes populares das cidades de Buenos Aires e Montevidéu", disse a Unesco em seu site oficial.

Na lista também figura o tradicional candombe do Uruguai, um ritmo frenético que se toca com tambores cuja origem remonta à época colonial e que ainda perdura nas mãos dos descendentes de escravos, em um país no qual 10 por cento dos 3,3 milhões de habitantes são de raça negra.

O pedido de inclusão como patrimônio para ambos ritmos foi apresentado à Unesco em setembro de 2008.

"Ambos começaram como expressões culturais menosprezadas pela sociedade que se acreditava bem-pensante e culta", explicou a ministra de Cultura do Uruguai, María Simón, em um ato realizado na Praça Carlos Gardel de Montevidéu.

"Por fim deixamos de discutir se o tango era daqui ou dali, esta iniciativa se apresenta como um patrimônio comum, rio-platense", acrescentou Simón.

A origem do tango volta e meia é tema de discussão entre os habitantes dos dois países. Em 2000, surgiu uma polêmica quando a Argentina se apresentou nos Jogos Olímpicos de Sidney ao som de "La Cumparsita", o tango mais famoso do mundo, cuja melodia foi criada em 1917 por um uruguaio e sua letra por um argentino.

Em 1998, "La Cumparsita", que se pode ouvir até no filme "Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban" e na transmissão original de "A Guerra dos Mundos", foi declarada hino popular e cultural do Uruguai.

Gardel, cuja origem também é tema de polêmica entre os dois países, já que o Uruguai afirma que ele nasceu em seu território e a Argentina insiste que era francês, é um dos expoentes máximos do gênero.

"É uma homenagem a centenas de milongueiros, de cantores, de músicos que foram preservando esta tradição de voz em voz. Esta é uma contribuição que o Rio da Prata faz à cultura da humanidade", disse o ministro da Cultura argentino, Hernán Lombardi, ao diário argentino Clarín.

Reportagem de Patricia Avila e Conrado Hornos

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