ESTREIA-"Deixa Ela Entrar" não é o típico filme de vampiro

quinta-feira, 1 de outubro de 2009 11:31 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Não se engane. "Deixa Ela Entrar", que estreia em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre nesta sexta-feira, não é o típico filme de vampiros. A presença de um personagem com caninos longos e sugador de sangue pode fazer este filme sueco parecer uma obra de terror, mas esse drama triste e angustiante passa longe das convenções cinematográficas estabelecidas para esse tipo de personagem.

O único horror aqui é sobreviver às crises da adolescência. Também não se encontra um retrato romantizado, como na série "Crepúsculo".

O drama sueco está mais interessado em explorar as dificuldades do amadurecimento e a forma como um amor pode entrar na vida das pessoas do que paixonites juvenis - embora os protagonistas estejam na adolescência.

Dirigido pelo sueco Tomas Alfredson, a partir de um roteiro assinado por John Ajvide Lindqvist, baseado em seu romance, "Deixa Ela Entrar" é um filme que confia mais em seus visual poderoso para conduzir a narrativa do que em contar uma história pelo simples fato de contar uma história.

A neve é uma constante numa paisagem gélida, assim como os ambientes interiores sempre parecem frios e claustrofóbicos. Em meio a esses tons de branco e azul acinzentado, sempre que o sangue irrompe é um vermelho forte que se destaca e nos faz lembrar da condição humana dos personagens e de nós mesmos.

Oskar (Kåre Hedebrant) tem 12 anos e parece viver no seu próprio mundo. Na escola, é atormentado pelos meninos mais velhos e maiores. Seu único amigo também logo o abandona para ficar com os outros garotos. Em casa, passa boa parte do tempo sozinho enquanto a mãe trabalha. Não é a toa, que a chegada de Eli (Lina Leandersson), sua nova vizinha, é um acontecimento em sua vida.

Do estranhamento inicial entre esses dois solitários nasce uma forte ligação e um senso de proteção mútua. Mesmo sem muito entender quem é Eli e por que ela age de forma estranha - nunca vai à escola, só aparece à noite, parece não tomar banho - Oskar abre o seu mundo para ela. Há uma figura estranha na vida da menina: Hakan (Per Ragnar), com quem ela divide o apartamento.

Aos poucos, Oskar, acompanhado do público, começa a desvendar quem é Eli. Num momento, ela quer entrar no apartamento do menino, mas ele não a convida. Ela insiste para ser convidada, mas ele se faz de difícil. A menina cruza a porta mesmo assim. O que se segue então é visualmente tão belo quanto assustador, e emocionalmente ressonante.

É nesse momento que Oskar parece, finalmente, descobrir que está diante não de uma criança como ele, mas de uma figura ímpar. Uma desconfiança que pouco depois será confirmada.   Continuação...