8 de Outubro de 2009 / às 11:41 / 8 anos atrás

Herta Mueller: "sem palavras" ao saber do Nobel de Literatura

<p>Foto de arquivo da escritora alem&atilde; Herta Mueller que comparece a um festival liter&aacute;ro em Praga. Mueller venceu o Pr&ecirc;mio Nobel de Literatura de 2009, afirmou o comit&ecirc; que concede a premia&ccedil;&atilde;o nesta quinta-feira.25/04/2004.REUTERS/Der Standard/Andy Urban</p>

Por Simon Johnson e Adam Cox

ESTOCOLMO (Reuters) - A escritora alemã mas nascida na Romênia Herta Mueller, que mapeou as dificuldades e humilhações impostas pelo regime brutal de Nicolae Ceausescu, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura de 2009 por retratar “a paisagem dos despossuídos”.

A Academia Sueca, que elogiou “a concentração de sua poesia e a franqueza de sua prosa”, disse que Mueller, 56 anos, ficou sem palavras ao ser informada de que recebera o prêmio, no valor de 10 milhões de coroas suecas (1,4 milhão de dólares).

“Ela ficou muito, muito feliz. Disse que ficou sem fôlego, que a sensação era irreal e que ela estava sem palavras”, disse à Reuters o secretário permanente da Academia, Peter Englund, acrescentando: “Mas ela prometeu que, quando nos encontrarmos novamente, em dezembro (para a cerimônia de entrega dos prêmios), já terá reencontrado as palavras.”

Mueller é conhecida por obras como “The Land of Green Plums” (Terra de Ameixas Verdes), que dedicou a amigos romenos mortos sob o governo comunista de Ceausescu, e “The Appointment” (A Hora Marcada), em que uma romena costura bilhetes dizendo “case-se comigo” nos ternos de homens que vão viajar para a Itália.

“Existe força real na maneira como ela escreve. Ela tem uma mensagem incrível”, disse Englund. “Parte disso se deve a sua história pessoal, de vítima de perseguição política na Romênia, mas ela também tem uma história de ser estrangeira em seu próprio país.”

PERSEGUIDA PELA SECURITATE

Mueller, cuja mãe passou cinco anos num campo soviético de trabalhos forçados e que foi ela própria perseguida pela polícia secreta romena, a Securitate, depois de negar-se a servir de informante, fez sua estreia literária em 1982 com uma coletânea de contos.

A obra em questão, “Niederungen”, foi censurada na Romênia. Nela e em seu livro “Drueckender Tango” (Tango Opressivo), publicado dois anos depois, Mueller escreveu sobre a corrupção e repressão no vilarejo de Nitzkydorf, de idioma alemão, onde ela nasceu.

Suas obras sensíveis e repletas de insights refletem a vida sob o governo de Ceausescu, deposto e executado em 1989. Mueller deixou a Romênia em 1987 com seu marido Richard Wagner e hoje vive e trabalha em Berlim.

Os ganhadores do Nobel de Literatura nos últimos anos têm sido sobretudo europeus, e algumas pessoas vêm criticando a Academia por ter uma visão mundial demasiado estreita. Mueller é a 12a mulher a receber o Nobel de Literatura.

Declarações feitas no ano passado pelo então secretário permanente Horace Engdahl, que disse que os norte-americanos não participavam do “grande diálogo” da literatura, tinham motivado especulações de que este ano o comitê pudesse premiar um escritor norte-americano.

Corretores de apostas viam o romancista israelense Amos Oz como favorito para receber o prêmio este ano, e os americanos Joyce Carol Oates e Philip Roth eram vistos como alguns de seus principais rivais.

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